Mínimos argumentos para que ser seja nonada

Autores

  • Pedro Soares UnB

DOI:

https://doi.org/10.59488/tragica.v19i1.69310

Palavras-chave:

metafísica, ser, niilismo, anarqué, colonialidade

Resumo

A partir da leitura heideggeriana do livro Θ da Metafísica de Aristóteles, este artigo examina como a δύναμις (dýnamis) plenamente presente mesmo sem ἐνέργεια (enérgeia) fundamenta uma fixação ontológica que, mais tarde instrumentalizada pelo colonialismo e pelo capitalismo, sustenta um “império transcendental” capaz de capturar os entes assim fixados. Em oposição, afirma-se o “ser” — derivado de um verbo copulativo sem conteúdo próprio — como vazio de característica e ação. Elevado a princípio transcendental, esse vazio atua simultaneamente como condição imanente das relações, à maneira da “diferença” em Deleuze, e como espaço propiciatório para liberar a multiplicidade dos modos de existência, recusando a cosmofobia e o fascismo cósmico implicados na ontologia da presença.

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Publicado

2026-03-27

Como Citar

SOARES, Pedro. Mínimos argumentos para que ser seja nonada . TRÁGICA: Estudos de Filosofia da Imanência, [S. l.], v. 19, n. 1, p. 20–33, 2026. DOI: 10.59488/tragica.v19i1.69310. Disponível em: https://revistas.ufrj.br/index.php/tragica/article/view/69310. Acesso em: 19 abr. 2026.

Edição

Seção

Artigos