O eterno retorno como excedente de estilo e meta filosófica em Nietzsche
DOI:
https://doi.org/10.59488/tragica.v19i1.71600Palavras-chave:
Nietzsche, eterno retorno, StegmeierResumo
Examina-se aqui o estatuto do eterno retorno na obra de Nietzsche a partir de uma problematização do lugar que Stegmaier lhe atribui: o de um pensamento subordinado à tarefa crítica da verdade. Contra essa leitura, argumenta-se que a doutrina — compreendida em seu uso estratégico, estilístico e afetivo — opera menos como arma epistemológica do que como instrumento de transvaloração, articulado à afirmação dionisíaca e à tentativa de superar a fixação moderna na verdade como meta. Discute-se como as incursões científicas de Nietzsche não são resíduos descartáveis, mas índices de seu emprego multiforme de signos e linguagens, voltados a afetar e deslocar valores. Ao ressituar o retorno nesse registro, evidencia-se que seu problema principal não é cognitivo, mas afetivo: trata-se do limite de nossa força para desejar o deserto do sem-sentido e para suportar a repetição infinita da existência como medida de afirmação. O artigo defende, assim, que o retorno deve ser lido não como uma tese antidoutrinária, mas como teste de elasticidade existencial, situado além da crítica epistemológica, indicando um patamar que Nietzsche teria, ainda que não encimado, divisado.
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