Educação e virtude republicana
Mary Wollstonecraft, Condorcet e os limites do projeto educativo ilustrado
DOI:
https://doi.org/10.59488/tragica.v18i3.71976Palavras-chave:
Mary Wollstonecraft, Condorcet, Iluminismo, Educação ilustrada, RepublicanismoResumo
Este trabalho analisa a filosofia política de Mary Wollstonecraft e Condorcet à luz das promessas e das omissões do projeto ilustrado, com ênfase na instrução pública como condição da cidadania republicana. Esses dois pensadores, fortemente ancorados nos ideais das Luzes, denunciam as limitações sociais e institucionais que impedem o exercício efetivo da razão pela sociedade, especialmente por parte das mulheres e das classes desfavorecidas. Ao reivindicar uma educação universal, gratuita e laica, Condorcet rompe com o elitismo presente em grande parte do pensamento ilustrado, propondo um modelo de república igualitária fundada na autonomia intelectual. Wollstonecraft, por sua vez, desloca o debate ao evidenciar que a exclusão das mulheres do espaço público tem raízes não apenas legais, mas também culturais e pedagógicas. Sua crítica à dependência moral e simbólica como forma de dominação revela um republicanismo exigente, comprometido com a virtude, a igualdade e a participação ativa. A análise conjunta dessas perspectivas permite repensar o legado das Luzes não apenas como herança, mas como campo de disputas, no qual os conceitos de liberdade, razão e cidadania seguem sendo rearticulados a partir de suas margens históricas.
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