O nada que deixa ser

Manoel de Barros e a abertura ontológica da palavra

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DOI:

https://doi.org/10.59488/tragica.v19i3.75067

Resumo

Este artigo propõe uma leitura ontológica de Livro sobre nada (1996), de Manoel de Barros, tomando como eixo a relação entre nada, linguagem poética, imanência e sagrado. Em diálogo com o pensamento de Martin Heidegger, defende-se que o nada manoelino não deve ser compreendido como pura inexistência, negatividade abstrata ou vazio metafísico, mas como abertura poética em que as coisas são libertadas dos regimes da utilidade, da representação, da nomeação habitual e da grandeza. Nesse horizonte, o nada não nega o ser; ao contrário, suspende os modos instrumentais de apreensão do ente para que o ínfimo, o abandonado, o desútil e o rasteiro possam aparecer em sua potência originária. A partir da análise de passagens de Livro sobre nada, sustenta-se que essa abertura conduz a uma experiência não-metafísica do sagrado: Deus e o divino não aparecem como fundamento transcendente ou ente supremo, mas como dimensão de mistério que se manifesta na imanência das coisas simples, inúteis e abandonadas. Conclui-se que a poética de Manoel de Barros oferece uma ontologia do ínfimo como clareira do sagrado, na qual a palavra, ao desaprender sua função dominadora, deixa o mundo aparecer em sua pobreza luminosa.

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Biografia do Autor

Luan Alves dos Santos Ribeiro, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

É doutor em Filosofia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Realizou, entre 2024 e 2025, pós-doutorado em Filosofia pela Universidade Federal do ABC (UFABC), dedicado ao estudo da poética de Manoel de Barros. Atua na área de Filosofia, com ênfase em Heidegger, Ontologia, Arte, Hermenêutica e Fenomenologia.

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Publicado

2026-10-20

Como Citar

ALVES DOS SANTOS RIBEIRO, Luan. O nada que deixa ser: Manoel de Barros e a abertura ontológica da palavra. Trágica: Estudos de Filosofia da Imanência, [S. l.], v. 19, n. 3, p. 01–16, 2026. DOI: 10.59488/tragica.v19i3.75067. Disponível em: https://revistas.ufrj.br/index.php/tragica/article/view/75067. Acesso em: 26 out. 2026.

Edição

Seção

Artigos publicados em fluxo contínuo