A relação entre lógica, páthos e éthos na arte Retórica de Aristóteles

Joelson Nascimento

Resumo


Na Arte Retórica (Rt.), duas formas podem ser utilizadas para realizar uma demonstração: o exemplo, considerado por Aristóteles como indução; e o entimema, com sua forma dedutiva. Trataremos neste trabalho da última forma como “corpo” que carregará consigo as provas do discurso. Mostraremos sua estrutura silogística a fim de compreendermos o seu uso. Mas isso não será suficiente se não entendermos também as matérias-primas pelas quais o entimema é nutrido. Essa forma dedutiva, adaptada ao discurso retórico, tirará suas premissas de lugares comuns a todos os gêneros do discurso (deliberativo, judicial e epidíctico) e lugares específicos a cada um deles. Mas a matéria prima que nos interessa é aquela fornecida pelo caráter moral (éthos) do orador e das disposições criadas por ele nos ouvintes (páthos). São as provas que são fornecidas pelo próprio discurso, nomeadas provas artísticas (éntechnai pístis). Nosso objetivo é o de mostrar a estrutura lógica do entimema assim como sua relação com esses dois tipos de provas.

Palavras-chave


lógica, entimema, páthos, éthos.

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