Samian Meontology. On Melissus, Non-Being, and Self-Refutation

Massimo Pulpito

Resumo


Tradicionalmente, e com razão, se atribui a Melisso um tipo de monismo absoluto que não reconhecemos naquele que se supõe ser seu mestre, Parmênides. Para Melisso há um ente, único, infinito, eterno, homogêneo e imutável. Sobre esse ponto o consenso entre os estudiosos é quase unânime. Isso implica que, exceto esse ente único, nada mais existe e, portanto, que nosso mundo físico e os objetos de nossa experiência, não existem. Tudo que conhecemos e do qual falamos não é real., como é possível ver em algumas passagens nos fragmentos de Melisso que explicitam essa consequência anti-parmenidiana.

Isso significa que a ontologia monística dá origem, como uma sombra, a uma vasta ‘meontologia’ que envolve todo discurso naturalista humano, toda teoria sobre o mundo e, portanto, todo objeto de conhecimento possível (exceto um). Contudo, isso esconde um problema de importância não pequena: entre as coisas não existentes pressupostas por essa doutrina há, com efeito, também os seres humanos e, portanto, o próprio filósofo Melisso, seu livro e todo pensamento e fala humanos. Isso parece tornar a doutrina de Melisso auto refutativa, negada pela existência da própria doutrina e daquele que a propõe, assim como da experiência daqueles que a aprendem. As dificuldades inerentes ao monismo estrito parecem ter levado não somente a uma volta aos juízos críticos tradicionais a respeito da filosofia de Melisso (ao menos desde Aristóteles), mas também mais recentemente a acreditar que ele seja não um filósofo sério, mas um pensador erístico.

Palavras-chave


Melissus, Parmenide, Non-Being, Meontology

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DOI: https://doi.org/10.47661/afcl.v14i28.38769

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