Entre o corpo e a terra: poéticas da resistência em Regina José Galindo e Rubiane Maia

Autores

DOI:

https://doi.org/10.60001/ae.n50.9

Palavras-chave:

Corpo-território, Violência de gênero, Performance

Resumo

O artigo analisa as ações de Regina José Galindo e Rubiane Maia, com atenção às performances que investem o território-corpo em contato direto com a terra e seu substrato. As ações emergem de territórios marcados pela violência institucional, nas quais práticas sistemáticas destituem povos originários de sua relação com a terra, seja por expropriação deliberada ou por crimes ambientais. A violência sobre o corpo feminino como instrumento de dominação, é central na obra de Galindo. O corpo em ação, imerso e em diálogo com elementos orgânicos, transforma-se em dispositivo de resistência: confronta e subverte os modos de opressão impostos pelos neocolonialismos. O território tomado em sua materialidade e dado etimologicamente como espaço produtor de terror é confrontado em dimensão íntima tão presente na poética de Rubiane Maia. Desse modo, provocam deslocamentos sensíveis, permitindo a articulação de estratégias de desarmamento da violência histórica e contemporânea.

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Biografia do Autor

Tatiane Paiva Cova, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro

Doutoranda em História Social da Cultura pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Pós-graduada em Curadoria de Arte pela Universidade Nova de Lisboa (2019). Possui mestrado em História Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ (2011). Bacharel e Licenciatura em História pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ (2005). Atualmente é curadora do acervo da Divisão de Iconografia da Fundação Biblioteca Nacional (2006 - ).

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Publicado

11-05-2026