A imanência consegue explicar os conflitos sociais?

Ernesto Laclau

Resumo


Numa entrevista recente (vide RANCIÈRE, “Peuple ou multitudes: Question d'Eric Alliez à Jacques Rancière”, Multitudes n. 9, maio/junho 2002: 95-100), Jacques Rancière contrapõe sua noção de “povo” (peuple) (vide RANCIÈRE, La Mésentente. Paris: Galilée, 1995) à categoria de “multidão” como é apresentada pelos autores de Império. Como se sabe, Rancière distingue entre os dois sentidos da palavra “política”, sendo o primeiro a lógica de quantificar e designar a população a lugares diferenciados, enquanto o segundo subverte essa lógica diferenciadora por meio da constituição de um discurso igualitário que coloca em questão as identidades estabelecidas. “O povo” é o sujeito específico da política [politics] e pressupõe uma divisão expressiva no corpo social que impede o retorno a qualquer tipo de unidade imanente. A abordagem de Império, em contrapartida, faz da imanência sua categoria central e o fundamento último da unidade da multidão.

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Referências


HARDT, Michael; NEGRI, Antonio. Empire. Cambridge, MA: Harvard UP, 2000.

HARDT, Michael; NEGRI, Antonio. Império. Tradução de Berilo Vargas. Rio de Janeiro: Record, 2001.

LACLAU, E. Emancipação e diferença. Rio de Janeiro: EdUerj, 2011. LACLAU, E. Emancipation(s). London: Verso, 1996.

LACLAU, Ernesto. Can Immanence Explain Social Struggles? Diacritics, v. 31, n.4, 2001, p.3-10. doi https://doi.org/10.1353/dia.2004.0008


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