"TIRAREI MEDICINA QUANDO TERMINAR OS SETE MESES DE CADEIA": IDENTIDADE E RESISTÊNCIA PELO TRABALHO NO SUL DE MOÇAMBIQUE (1945-1970)

Auteurs

  • Caio Fabiano Lopes do Valle Souza Universidade de São Paulo

Mots-clés :

Moçambique, colonialismo, resistência

Résumé

O sistema colonial português em Moçambique engendrou um conjunto de categorias sociojurídicas para classificar os grupos de pessoas inseridas na sociedade, constituindo essa uma das principais ferramentas da ideologia de dominação. À esmagadora maioria da população negra, restavam menos e piores oportunidades e perspectivas de vida, já que não eram considerados cidadãos, sendo-lhes vedado, por exemplo, o ingresso no melhor sistema de ensino. Apesar da pressão do regime para a reprodução desse status quo, a resistência de indivíduos marginalizados, por vezes, logrou esgarçar as restritas fronteiras sociais desenhadas para eles, vistos amiúde como mão de obra barata. Neste artigo, discute-se a trajetória de um homem criado no subúrbio de Lourenço Marques (capital moçambicana, atual Maputo) que construiu para si, a partir de uma experiência clandestina na África do Sul, a identidade de médico, profissão que exerceu do seu regresso até ser flagrado e preso na vila de João Belo (hoje, Xai-Xai). Sua experiência é reveladora da insatisfação das camadas subalternas com as condições a si atribuídas pela ordem colonial e como os indivíduos também costuravam para si, por meio do trabalho, alternativas a essa realidade.

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Biographie de l'auteur

Caio Fabiano Lopes do Valle Souza, Universidade de São Paulo

Mestrando do Programa de Pós-Graduação em História Social da Universidade de São Paulo, bolsista do CNPq.

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Publiée

2021-10-13