Mineração do carvão e reassentamentos "forçados": o sentido de lugar e a(s) nova(s) configuração identitária nas comunidades atingidas pela Vale e Riversdale em Moatize, Moçambique.
DOI:
https://doi.org/10.59508/geoafrica.v2i7.61554Palavras-chave:
Carvão mineral, Reassentamento, Identidade, Lugar, MoatizeResumo
A mobilidade internacional do capital nas últimas quatro décadas permitiu a expansão da fronteira agro mineral e abertura de novas frentes em países distantes dos centros de articulação capitalista. Este artigo analisa as transformações ocorridas em Moatize, com o início da extração do carvão mineral, para compreender como essas mudanças afetaram a identidade, as referências sobre o lugar e configuram nova (s) identidade(s), na população atingida. A partir do estudo das categorias geográficas: espaço, território e lugar; do trabalho de campo realizado em 2015 e 2016, em Moatize e da pesquisa bibliográfica em curso, destaca-se que o início da extração do carvão mineral induziu a profundas transformações espaciais, afetando assim as referências sobre o lugar e a identidade da população atingida pelos projetos da Vale e Riversdale. Neste quadro, símbolos como Rio, antiga casa, machamba e práticas culturais como kumbire mudzimbo, mandjole, malombo; entre outros foram destruídos ou perdidos com o reassentamento. Como consequência, as identidades adquiriram novas feições, a população perdeu o sentido de lugar (RELPH, 1997, CROSS, 2001), já que o novo lugar não tem o mesmo significado emocional, afetivo e nem carrega consigo as mesmas crenças culturais e práticas que as vinculam ao lugar anterior ao reassentamento.
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