Até breve...
Existem textos que são escritos antes do seu tempo... Existem textos que não gostaríamos de escrever, porém, uma marca da nossa existência é a finitude física que nos acompanha desde que nos desvelamos no mundo.
Em 1986, um jovem francês torna-se geógrafo pela Université de Toulouse II. Pela mesma instituição, torna-se Mestre e, em 1997, na célebre Université Sorbonne Nouvelle, torna-se Doutor em Geografia, abordando a cidade em que escolheria viver: “Transports collectifs et Production de l'Espace Urbain à Rio de Janeiro (Brésil)”.
Em 1998, aquele jovem chega ao Brasil e inicia uma bela caminhada como excepcional docente, pesquisador e amigo. Ele começa a lecionar na instituição que foi sua casa de 1998 até ontem (e por que não falar que será para sempre?), a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). E logo no seu ano de estreia, por meio das disciplinas que lecionou, uma paixão nos foi apresentada: o continente africano. E assim sua trajetória foi constituída, pensando a África, pensando as questões dos lugares que a compõem.
Aqui ele constituiu família, teve suas filhas e fez muitos amigos — amizades estas que ultrapassaram as fronteiras do Brasil e alcançaram as mais diferentes instituições acadêmicas. Nesse contexto, ele guardava um carinho especial pela Universidade Pedagógica, em Maputo, Moçambique.
No âmbito do Programa de Pós-Graduação em Geografia e do Departamento de Geografia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e em companhia de outro grande amigo, o Professor Dr. José Júlio Júnior Guambe, nasceu o Grupo de Estudos e Pesquisa Espaços e Sociedades na África Subsaariana (GeoÁfrica). Ele tinha um afinco e uma dedicação admiráveis pelo grupo, da mesma forma que tinha pelos alunos de graduação, de mestrado e de doutorado — não apenas da UFRJ, mas de quem quer que o procurasse.
O que era um Grupo de Estudos cresceu e ganhou projeção internacional com o I Seminário Internacional GeoÁfrica, em 2021. Que felicidade para ele como idealizador, ainda no contexto da pandemia da Covid-19. A presença foi marcante: aproximadamente 300 inscritos, sem contar os não inscritos que acompanharam de forma remota as palestras e apresentações.
Em janeiro de 2022, nasce um de seus grandes empreendimentos acadêmicos, o Boletim GeoÁfrica, gestado como um lugar no qual as contribuições acadêmicas relacionadas às temáticas africanas tivessem espaço. Professores, pesquisadores, doutores, mestres e graduandos, sem distinção, puderam expressar suas opiniões, pesquisas e SONHOS.
Em 2023, como mais uma ousadia, ele propôs o II Seminário GeoÁfrica de modo diferente: agora híbrido, com parte da equipe no Brasil, na UFRJ, e a outra parte na Universidade Pedagógica, em Maputo, Moçambique. Novamente um sucesso. Em 2025, o III Seminário repetiu a fórmula, agora com a participação dos professores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Brasil.
Por fim, às vezes as pessoas vão embora cedo demais. Este é um pequeno texto para lembrar o idealizador do Grupo de Pesquisa, fundador do Boletim GeoÁfrica e amigo Dr. Frédéric Jean Marie Monié — ou, como sempre gostou de ser chamado, FRED.
Vá em paz, amigo. Você não está mais aqui fisicamente conosco, mas buscaremos manter a sua obra e o seu legado com o mesmo rigor, carinho e dedicação que você teve em todos esses anos. Será muito difícil sem você; o que deixou não será esquecido.
Muito obrigado por tudo, meu amigo.
Rio de Janeiro, tarde cinzenta de 04 de julho de 2026.
Conselho Editorial do Boletim GeoÁfrica e membros do Grupo de Estudos e Pesquisa Espaços e Sociedades na África Subsaariana.
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