Anúncios

Até breve...

2026-07-04

Existem textos que são escritos antes do seu tempo... Existem textos que não gostaríamos de escrever, porém, uma marca da nossa existência é a finitude física que nos acompanha desde que nos desvelamos no mundo.

Em 1986, um jovem francês torna-se geógrafo pela Université de Toulouse II. Pela mesma instituição, torna-se Mestre e, em 1997, na célebre Université Sorbonne Nouvelle, torna-se Doutor em Geografia, abordando a cidade em que escolheria viver: “Transports collectifs et Production de l'Espace Urbain à Rio de Janeiro (Brésil)”.

Em 1998, aquele jovem chega ao Brasil e inicia uma bela caminhada como excepcional docente, pesquisador e amigo. Ele começa a lecionar na instituição que foi sua casa de 1998 até ontem (e por que não falar que será para sempre?), a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). E logo no seu ano de estreia, por meio das disciplinas que lecionou, uma paixão nos foi apresentada: o continente africano. E assim sua trajetória foi constituída, pensando a África, pensando as questões dos lugares que a compõem.

Aqui ele constituiu família, teve suas filhas e fez muitos amigos — amizades estas que ultrapassaram as fronteiras do Brasil e alcançaram as mais diferentes instituições acadêmicas. Nesse contexto, ele guardava um carinho especial pela Universidade Pedagógica, em Maputo, Moçambique.

No âmbito do Programa de Pós-Graduação em Geografia e do Departamento de Geografia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e em companhia de outro grande amigo, o Professor Dr. José Júlio Júnior Guambe, nasceu o Grupo de Estudos e Pesquisa Espaços e Sociedades na África Subsaariana (GeoÁfrica). Ele tinha um afinco e uma dedicação admiráveis pelo grupo, da mesma forma que tinha pelos alunos de graduação, de mestrado e de doutorado — não apenas da UFRJ, mas de quem quer que o procurasse.

O que era um Grupo de Estudos cresceu e ganhou projeção internacional com o I Seminário Internacional GeoÁfrica, em 2021. Que felicidade para ele como idealizador, ainda no contexto da pandemia da Covid-19. A presença foi marcante: aproximadamente 300 inscritos, sem contar os não inscritos que acompanharam de forma remota as palestras e apresentações.

Em janeiro de 2022, nasce um de seus grandes empreendimentos acadêmicos, o Boletim GeoÁfrica, gestado como um lugar no qual as contribuições acadêmicas relacionadas às temáticas africanas tivessem espaço. Professores, pesquisadores, doutores, mestres e graduandos, sem distinção, puderam expressar suas opiniões, pesquisas e SONHOS.

Em 2023, como mais uma ousadia, ele propôs o II Seminário GeoÁfrica de modo diferente: agora híbrido, com parte da equipe no Brasil, na UFRJ, e a outra parte na Universidade Pedagógica, em Maputo, Moçambique. Novamente um sucesso. Em 2025, o III Seminário repetiu a fórmula, agora com a participação dos professores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Brasil.

Por fim, às vezes as pessoas vão embora cedo demais. Este é um pequeno texto para lembrar o idealizador do Grupo de Pesquisa, fundador do Boletim GeoÁfrica e amigo Dr. Frédéric Jean Marie Monié — ou, como sempre gostou de ser chamado, FRED.

Vá em paz, amigo. Você não está mais aqui fisicamente conosco, mas buscaremos manter a sua obra e o seu legado com o mesmo rigor, carinho e dedicação que você teve em todos esses anos. Será muito difícil sem você; o que deixou não será esquecido.

Muito obrigado por tudo, meu amigo.

Rio de Janeiro, tarde cinzenta de 04 de julho de 2026.

Conselho Editorial do Boletim GeoÁfrica e membros do Grupo de Estudos e Pesquisa Espaços e Sociedades na África Subsaariana.

Saiba mais sobre Até breve...

Edição Atual

v. 4 n. 13 (2025): Dossiê: Conflitualidades na África subsaariana: atores, escalas, dinâmicas espaciais
					Visualizar v. 4 n. 13 (2025): Dossiê: Conflitualidades na África subsaariana: atores, escalas, dinâmicas espaciais
Publicado: 2026-01-16

Edição completa

Índice

Editorial

Entrevistas do Dossiê Temático

  • Dynamiques récentes de la conflictualité armée au Sahel central. Entretien avec Mamoudou Gazibo

    Mamoudou Gazibo; Frédéric Monié
    DOI: https://doi.org/10.59508/geoafrica.v4i13.72167
  • Dinâmicas recentes da conflitualidade armada no Sahel central. Entrevista com Mamoudou Gazibo

    Mamoudou Gazibo; Frédéric Monié
    DOI: https://doi.org/10.59508/geoafrica.v4i13.72168

Artigos do Dossiê Temático

  • A REGIÃO DO SAHEL E SUA VULNERABILIDADE AMBIENTAL: DISPUTAS TERRITORIAIS E CONFLITOS SOCIOPOLÍTICOS

    Vivian Santos da Silva
    DOI: https://doi.org/10.59508/geoafrica.v4i13.72169
  • O FIM DA INTERVENÇÃO LIBERAL E A TRANSFORMAÇAO GEOPOLÍTICA NO SAHEL CENTRAL

    Augusto Gabriel Colório
    DOI: https://doi.org/10.59508/geoafrica.v4i13.72170
  • A ATUAÇÃO DO CONSELHO DE SEGURANÇA DA ONU NO CONFLITO DA REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DO CONGO: DESAFIOS E PERSPECTIVAS

    Alfa Oumar Diallo, Cristovão Baltazar Sitoe, Siradio Hélio Santos Diallo
    DOI: https://doi.org/10.59508/geoafrica.v4i13.72146
  • EXPLORAÇÃO DO GÁS NATURAL EM MOÇAMBIQUE COMO FACTOR DE CONFLITO ARMADO: UM OLHAR SOBRE A PROVÍNCIA DE CABO DELGADO

    Hilário Cornélio Casimiro da Silva Laisse, Rodrigues Simão Rafael
    DOI: https://doi.org/10.59508/geoafrica.v4i13.72147
  • A INTEGRAÇÃO SOCIOECONÓMICA DOS DESLOCADOS INTERNOS DO TERRORISMO DO NORTE DE MOÇAMBIQUE NO CENTRO DE ACOLHIMENTO DE MALICA

    Edinilson Mário Moisés, Joaquim Miranda Maloa
    DOI: https://doi.org/10.59508/geoafrica.v4i13.72149
  • DESLOCAMENTOS COMPULSÓRIOS E CONFLITOS EM MOÇAMBIQUE: ALGUMAS DIFERENÇAS E PROXIMIDADES HISTÓRICAS

    Albino José Eusébio
    DOI: https://doi.org/10.59508/geoafrica.v4i13.72148

Áfricas na Pós-graduação

Varia: Artigos

  • URBANIZAÇÃO, ECONOMIA GLOBAL E INOVAÇÃO NA ÁFRICA SUBSAARIANA: QUE DINÂMICAS?

    Luiz Adriano Guevane
    DOI: https://doi.org/10.59508/geoafrica.v4i13.72153
  • A RELAÇÃO ENTRE A APRENDIZAGEM CENTRADA NO ALUNO E O DESEMPENHO ACADÊMICO EM MOÇAMBIQUE

    Arrumaina Rui Militão, António Florindo Daniel Almoço, Adelina Ricardo Alson
    DOI: https://doi.org/10.59508/geoafrica.v4i13.72154
  • CARACTERIZAÇÃO GEOTÉCNICA DAS FRACTURAS DOS MACIÇOS ROCHOSOS NA MINERADORA PROMAC LDA, DISTRITO DE NHAMATANDA/SOFALA

    Ernesto Domingos Victorino, Gerson Constantino Alexandre Mavulule
    DOI: https://doi.org/10.59508/geoafrica.v4i13.72155

Experiências culturais

  • O PAPEL DO CINEMA EM ÁFRICA EM CONTEXTOS DE PÓS-INDEPENDÊNCIAS

    Wagner Ferreira Guimarães
    DOI: https://doi.org/10.59508/geoafrica.v4i13.72156
Ver Todas as Edições