Guerra às drogas e criminalização da juventude: Da ilegalidade do entorpecimento à funcionalidade do anestesiamento

Jackson Leal

Resumo


Este trabalho se propõe a trazer uma análise da problemática e ambígua relação entre juventude e substâncias psicotrópicas mediada pelas agências policiais e de controle social em geral, pautados pela definição simplista da legalidade/criminalização. Inicialmente, realiza-se um resgate teórico de como a juventude se constitui em um sujeito negado histórica e epistemologicamente. Este trabalho se apresenta como um fragmento de pesquisa, e apresenta sua parte no que diz respeito às drogas e à criminalização dos jovens em contato com o uso e distribuição (definido como tráfico) como o principal contingente em cumprimento de medida socioeducativa de internação, ao passo que também demonstra o amplo e massivo uso de substâncias (drogas) lícitas - tão ou mais fortes do que as que o jovem estava em contato em liberdade -- por parte das instituições de controle juvenil como forma de governabilidade. Este trabalho foi realizado a partir de pesquisa empírica que busca trazer o sujeito e as falas profanas dos jovens privados da liberdade, além de pautar-se pelo acumulo teórico e analítico permitido pela criminologia crítica. O objetivo desse trabalho é permitir conhecimento mais aprofundado da realidade em que se encontram os jovens que são objetos de controle penal no Brasil, e assim, a partir da formação de uma consciência crítica, viabilizar um processo de mudança social, teórica, cultural e jurídica.


Palavras-chave


juventude; desvio; criminologia critica; controle penal; drogas;

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