Movimento de Atingidos por Barragens, Desastre no Rio Doce, Redes de relações, brokerage, Espírito Santo.
Abstract
Neste artigo, examinamos a estrutura de redes de relações do Movimento dos Atingidos por Barragens no Espírito Santo (MAB-ES), no desastre no Rio Doce. Este foi um desastre sem precedentes no Brasil, desencadeado pelo rompimento de barragem de rejeitos de mineração da Samarco, Vale e BHP Billiton, em 2015, em Minas Gerais. Após o desastre no Rio Doce, a difusão do MAB para o Espírito Santo foi marcada pela construção da identidade coletiva de atingido. O MAB-ES também desempenhou um importante papel de organização e de articulação das pessoas afetadas, agindo na formação organizacional e identitária da sociedade civil local. Nesse cenário de injustiças socioambientais, como se configuraram as redes de relações do MAB-ES no conflito com autoridades e corporações? Quais processos e mecanismos influenciam a dinâmica das redes e como elas mudam ao longo do tempo? Utilizando métodos de pesquisa mistos, cinco anos do desastre socioambiental (2015-2020) foi examinado: (i) survey aplicado a 44 ativistas de 36 movimentos sociais e organizações civis no Espírito Santo; (ii) entrevistas em profundidade com 4 ativistas do MAB-ES; e (iii) análise de redes sociais do MAB-ES. O estudo demonstra um processo de expansão, mudanças e estabilização nas redes de relações do MAB-ES ao longo do tempo, com destaque ao papel de mobilização dos atingidos e de intermediação do conflito, cujo processo opera os mecanismos de brokerage e de difusão.
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Biografie autore
Alexsander Fonseca de Araujo, Universidade Federal do Espírito Santo, Vitória, ES, Brasil
É pesquisador do Núcleo Participação e Democracia (NUPAD) da Universidade Federal do Espírito (UFES, Brasil). É mestre e bacharel em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES, Brasil)
Euzeneia Carlos, Universidade Federal do Espírito Santo, Vitória, ES, Brasil
É professora do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES, Brasil), coordenadora do NUPAD e pesquisadora do Centro Brasileiro de Análise e Planejamente (CEBRAP) e do INCT Participa (Brasil). É doutora em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (USP, Brasil).
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