Socialismo, Conservadorismo e Cooperativismo na “revolução pacífica”: algumas teses críticas acerca da “economia solidária”

Valena Ribeiro Garcia Ramos, Andrey Cordeiro Ferreira, Marcello de Moura Coutinho

Resumo


No presente artigo analisaremos as ideias políticas que sustentam o cooperativismo em geral e a chamada “economia solidária”, com o objetivo de problematizá-lo enquanto projeto político e movimento social. Remontando a genealogia das ideias que sustentam as políticas da economia solidária, mostrando como o fato de seus teóricos inventarem uma descendência do cooperativismo expressa num tipo de projeto político paternalista e conservador que evidenciam Robert Owen e os “socialistas utópicos” como fundadores desse projeto e movimento político. A análise proposta está baseada em textos teóricos e políticos sobre cooperativismo (tanto dos ideólogos da economia solidária quanto dos pensadores socialistas que refletiram sobre esta questão desde o século XIX). Nossa hipótese é que o cooperativismo no Brasil está associado a projetos políticos de base paternalista e tutelada pelo Estado, ou plenamente integrados ou condicionados pela economia de mercado. Entendemos que o cooperativismo de base sindical-popular deve recuperar o caráter pedagógico defendido pelos teóricos socialistas analisados, com vistas a uma formação política que aposte na necessidade de vinculação a movimentos sociais e sindicais.


Palavras-chave


Cooperativismo; Economia Solidária; Socialismo; Socialismo Utópico; Capitalismo

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