UMA CASA DE SANTO ANARQUISTA: UMA PERSPECTIVA DECOLONIAL E LIBERTÁRIA NAS PRÁTICAS RELIGIOSAS AFRO-BRASILEIRAS.

Rafael Garcia Madalen Eiras

Resumo


Este artigo busca fazer uma reflexão das casas de santo em uma leitura decolonial, libertária e anarquista. Entendendo que os cultos de matriz africana sobreviveram a violência colonial à margem de um Estado autoritário e racista. Desta forma, os indivíduos que estão inseridos nas suas sociabilidades fazem parte de um estado hegemônico brasileiro excludente, porém ainda apresentam diversos aspectos que remetem a formas comunais tradicionais africanas de governabilidade, que resistiram ao epistemicídio colonial. Análise que parte de um giro epistemológico decolonial em que a noção de comunalismo africano é ponto focal ao permitir uma perspectiva das comunidades africanas tradicionais por um viés anarquista. Formas de governo que buscam uma consciência social de grupo em um espírito de igualdade e de compartilhamento, que Mbha e Igariway vão perceber sendo formas anárquicas propostas na prática, antes mesmo do conceito ser produzido na Europa. E, por tanto, ainda estão presentes nos ritos e sociabilidades dentro da casa de santo

Palavras-chave


Casa de santo, decolonial, anarquismo, comunalismo, contra-hegemônia

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