PERCEPÇÃO E EXPERIÊNCIA ESTÉTICA EM WALTER BENJAMIN

A ANESTÉTICA MEIO À CATÁSTROFE

Autores

  • Rafael Batista Dias UFSC

DOI:

https://doi.org/10.59488/REY

Resumo

Este artigo examina como Walter Benjamin articulou ruína e emoção enquanto categorias políticas centrais para compreender a modernidade do Capitalismo tardio. Em um primeiro momento, o texto parte da noção de que o progresso sistemático produz uma “anestética” da percepção - segundo exegese recente de Buck-Morss -, processo de embotamento que converte a catástrofe histórica em choques cotidianos. Contra a estetização da política e o apagamento da memória, a segunda parte aborda as dimensões da politização da arte e da rememoração, capazes de devolver aos vencidos da história e à ontologia do ínfimo sua dimensão afetiva e política. Tal gesto dá-se a partir da cesura sobre o continuum histórico que transforma os escombros em arquivos vivos da história suspensa, cujas emoções do passado (dor, melancolia, luto, tristeza etc.) se mantêm vivas como ferramentas críticas do presente. A ruína benjaminiana revela-se, assim, como espaço ambivalente: se por um lado materializa a catástrofe como estrutura do capital, que só se reproduz por meio da destruição contínua, por outro abre frestas de despertar político. Na última seção, o texto tensiona a anestesia e o despertar nos polos da catástrofe e da redenção sob o olhar materialista-messiânico do filósofo judeu alemão, que se revela pelas fissuras do presente graças à ruína viva da história. Assim, este estudo mostra, dialeticamente hoje, as noções sobre percepção e experiência estética, buscando não restaurar o passado, mas coabitar criticamente as ruínas como lugar de sentido histórico capaz de desvelar, na própria catástrofe, os fragmentos de um porvir não-realizado.

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Publicado

2025-12-31

Como Citar

BATISTA DIAS, Rafael. PERCEPÇÃO E EXPERIÊNCIA ESTÉTICA EM WALTER BENJAMIN: A ANESTÉTICA MEIO À CATÁSTROFE. Revista Estudos Libertários, [S. l.], v. 7, n. 2, 2025. DOI: 10.59488/REY. Disponível em: https://revistas.ufrj.br/index.php/estudoslibertarios/article/view/69042. Acesso em: 5 out. 2026.