AS MATRIZES AFRO-INDÍGENAS DA AJUDA MÚTUA E DA AUTOGESTÃO NO CALDEIRÃO DA SANTA CRUZ DO DESERTO

Autores

  • Isabel Sant'Anna Andrade Universidade Federal do Rio de Janeiro

DOI:

https://doi.org/10.59488/9885

Resumo

Este artigo discute as comunidades lideradas por José Lourenço Gomes da Silva, no sertão cearense (1894-1936), historicamente interpretadas como expressões do fanatismo, do messianismo ou da religiosidade popular, tendo como ponto de partida a visão dos seus moradores. Analisando criticamente a documentação histórica e as narrativas da imprensa, e contrapondo esses registros aos relatos orais desses moradores, argumentamos que o Caldeirão da Santa Cruz do Deserto e experiências afins elaboraram uma forma de organização baseada na ajuda mútua e na ausência de propriedade privada. Essa elaboração promoveu um modo de vida autogestionário, comparável a quilombos e aldeias indígenas. Tais comunidades ainda reinterpretaram o catolicismo a partir de matrizes não europeias. Esse conjunto de características, as tornou alvo de um duplo ataque: sua destruição física, por parte do Estado e do Exército brasileiro, e simbólica por meio da discriminação dos seus modos de vida por parte da imprensa.

 

Palavras-chave: Afro-indígena; Ajuda mútua; Autogestão; História oral; Sertão

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Publicado

2026-07-18

Como Citar

SANT'ANNA ANDRADE, Isabel. AS MATRIZES AFRO-INDÍGENAS DA AJUDA MÚTUA E DA AUTOGESTÃO NO CALDEIRÃO DA SANTA CRUZ DO DESERTO. Revista Estudos Libertários, [S. l.], v. 8, n. 1, p. 54–83, 2026. DOI: 10.59488/9885. Disponível em: https://revistas.ufrj.br/index.php/estudoslibertarios/article/view/72097. Acesso em: 23 ago. 2026.