Água viva , de Lispector: a voz de Gaia?

Camillo Cavalcanti

Resumo


O presente trabalho pretende enunciar a relação entre Homem e Natureza, entre linguagem e mundo, na prosa Água viva , de Clarice Lispector. Devido à sua pujança enquanto obra-poética, foi “categorizada” para além do estatuto de romance, como prosa poética. Na verdade, textos como Água viva estão num não-lugar inexplicável pela crítica convencional. Por quê? Este texto clariceano é expressão da poeiesis , extrapolando a representação mimética de fatos (por isso prosa poética, mas em outra acepção), o que será explicado neste trabalho. Também expõe-se a proximidade entre essência humana e Natureza ( natura naturans ), numa experiência de fazer a si, ao outro e a ambos enquanto comunhão, sabendo que cada um é um acontecer poético, advindo da Centelha divino-criadora que reúne ambos novamente em sua totalidade esplendorosa, que é relação entre transcendência e matéria, ou seja, Natureza e Incondicionado. Desse modo, a diferenciação entre sujeito e objeto não mais cabe, e a voz da narradora con-funde linguagem humana e linguagem da Natureza, corpo germinativo que acolhe o homem enquanto criação. Por isso, o título pergunta não um problema, mas uma questão, pois ser ou não a voz de Gaia invoca o mistério da contigüidade-ao-mesmo-tempo-distinção do homem no Absoluto, o Criador Divino.

Palavras-chave: poética; questões; Clarice Lispector.

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Referências


CASTRO, Manuel Antônio de. Caracterização de Poética; Época e Arte. www.travessiapoetica.com, capturados na primavera de 2006.

HELENA, Lucia. Um lugar enfeitiçado. in: ---. Nem musa nem Medusa: itinerários da escrita de Clarice Lispector . Niterói: EDUFF, 2006.

LISPECTOR, Clarice. Água viva . Rio de Janeiro: Rocco, 1998.


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