Libertação e violência: a desumanização do homem pelo próprio homem em A geração da utopia, de Pepetela

André Rezende Benatti, Gabriel Ambrósio

Resumo


Este artigo pretende analisar os aspectos que envolvem a desumanização do homem durante o processo de libertação de Angola representados no romance A geração da utopia (2004), de Pepetela. Libertar-se daqueles que nos oprimem sempre é algo que leva tempo, nunca é algo pacífico. Para Hannah Arendt (2004), algoz que encara suas violências como ordem, e que para este não são violências, vê o sujeito oprimido como violento, pois este se rebela contra o sistema imposto como natural pelo algoz. A construção da nação ainda tem complexos problemas que são representados por memórias marcadas pela colonização e a violência pós-independência na vida sociocultural. Não obstante a vontade da libertação, o sentido de ser livre, não inibe o que sucedeu pela força de um sistema com representantes do país. A memória dos guerrilheiros no contexto pós- independência é de extrema importância para o futuro das ex-colônias. Conforme Fanon (1968) em Os condenados da terra, sobretudo, a dificuldade de diálogo entre os homens fazendo estes recorrerem à violência. Pois há um legado mais violento do que a própria emancipação sociocultural e histórica. Para o artigo nos ateremos, além dos teóricos e críticos que estudam a violência como Xavier Crittiez (2009), Walter Mignolo (2003) Santos e Meneses (2009), Achille Mbembe (2016) entre outros, também em teóricos e críticos dos estudos pós-coloniais como Frantz Fanon (1968, 2008), dentre outros.

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Referências


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DOI: https://doi.org/10.35520/mulemba.2021.v13nEsp.a51061

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