VARIAÇÕES DE CURTO PRAZO DO METABOLISMO E DA pCO2 NA LAGOA RODRIGO DE FREITAS: ELEVADO DINAMISMO EM UM ECOSSISTEMA TROPICAL URBANO

Humberto Marotta, Renata Maria Pereira Ricci, Pedro Lima Sampaio, Pedro Puciarelli de Melo, Alex Enrich-Prast

Abstract


O balanço entre fotossíntese e respiração (metabolismo) desempenha um importante papel sobre a pressão parcial de dióxido de carbono (pCO2) nas águas urbanas de elevada produtividade. As lagoas tropicais costeiras podem apresentar intensos processos metabólicos, consequência de flutuações naturais e antropogênicas nos aportes da bacia de drenagem ou da troca de água marinha. O presente trabalho avaliou a variação de curto prazo do metabolismo aquático e da pCO2 nas águas de uma lagoa urbana tropical (Lagoa Rodrigo de Freitas) ao longo de 7 dias consecutivos. A Lagoa Rodrigo de Freitas se localiza em uma área densamente povoada na cidade do Rio de Janeiro - Brasil, sendo submetida ao lançamento de efluentes domésticos, que acarreta recorrentes mortandades de organismos. As concentrações de CO2e O2, os fluxos de CO2 na interface água-ar, as estimativas do metabolismo aquático e o índice de respiração (IR) foram determinados nas águas superficiais e de fundo. Nossos resultados revelaram uma relação negativa entre ambos os gases, confirmando o papel do metabolismo aquático sobre a predominância da supersaturação de CO2 e da subsaturação de O2na estação de coleta, a qual é descrita para maioria das águas continentais. Além disso, valores de IR próximos do limite crítico à respiração aeróbica (em torno de 0,7) foram observados especialmente nas águas de fundo, que apresentou persistência de supersaturação de CO2ao longo do tempo. Já as águas superficiais foram mais variáveis. A comparação entre os períodos anterior e posterior à chuva e abertura da conexão ao mar (chuva+comporta) sugere a alternância nas águas superficiais entre fontes e sumidouros de CO2à atmosfera (de 3,1 a -1,4 mmol m-2d-1). Essas variações da saturação de CO2e O2 nas águas da Lagoa Rodrigo de Freitas não acompanharam as flutuações do metabolismo aquático diário, sugerindo que o balanço dos gases metabólicos também pode ser influenciado por mudanças acumuladas nos dias anteriores. Como conclusão, processos naturais e antropogênicos, incluindo chuvas e aberturas da conexão com o mar, podem contribuir para mudanças drásticas no metabolismo aquático, especialmente devido às altas temperaturas e ao aporte de nutrientes estimulando os processos biológicos nos ecossistemas urbanos tropicais.

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ISSN 2177-6199