Um filósofo no carnaval

Joãosinho Trinta e a rapsódia brasileira de Milton Cunha

Auteurs

  • Rafael Haddock-Lobo

Mots-clés :

Carnaval, Cultura popular brasileira, Escola de samba, Joãosinho Trinta, Milton Cunha

Résumé

O artigo tem como objetivo analisar a obra carnavalesca de Joãosinho Trinta a partir da leitura desenvolvida por Milton Cunha em sua dissertação de mestrado e em sua tese de doutorado, propondo a compreensão do carnavalesco como um pensador da cultura brasileira. A pesquisa adota como metodologia a análise interpretativa das narrativas escritas dos enredos de Joãosinho Trinta, articulada leitura crítica das formulações teóricas de Milton Cunha, situando a escola de samba como território simbólico de produção de pensamento da cidade. O estudo demonstra que, no mestrado, Milton Cunha identifica em Joãosinho o criador de uma poética do fantástico carnavalesco, na qual a fantasia opera como método de leitura e reinvenção do real, e que, na tese, o carnavalesco consagrado como um grande leitor do Brasil, intérprete das contradições históricas, sociais e políticas do país. A partir da noção de rapsódia, evidencia-se que o desfile constitui uma forma de escrita da nação, na qual se articulam alegoria, crítica social, utopia e memória coletiva. Conclui-se que a obra de Joãosinho Trinta, tal como interpretada por Milton Cunha, inscreve-se no campo da filosofia popular brasileira, afirmando o carnaval como uma das mais complexas formas de elaboração simbólica e pensamento social no Brasil contemporâneo.

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Publiée

2026-03-08

Numéro

Rubrique

Bloco na Rua: Artigos