A DIMENSÃO RELIGIOSA DAS PRÁTICAS FUNERÁRIAS: O “CASO” DE ATENAS

Marta Mega de Andrade

Resumo


Ao abordar o tema das práticas funerárias em uma pólis como Atenas, precisamos estar atentos para a pluralidade de assuntos que lhe dizem respeito. Da disposição dos espaços de sepultamento à performance ritual propriamente dita, dos funerais públicos aos mortos em guerra à imbricação entre o teatro trágico e a morte, aquilo que podemos chamar de “contextos funerários” se desdobra em aspectos que trespassam o lugar daquilo que costumamos denominar religião. Isto significa que, na lida com a morte, os atenienses fizeram muito mais do que cercar as fronteiras do impuro e definir o espaço do sagrado, de modo que falamos de uma dimensão religiosa das práticas funerárias e, ao mesmo tempo, elas têm dimensões políticas, sociais, culturais;
e, se quiséssemos definir qual dessas instâncias predomina, não seria certamente a religião tal como a concebemos. Viso discutir aqui a relação entre o espaço de sepultamento e a dimensão religiosa que constitui, no mundo grego daquele período, o lugar de compreensão da morte como evento que “dispara” mecanismos rituais, crenças e o diálogo entre homens e deuses, ao mesmo tempo que se lida com o diálogo entre cotidiano e “além”, quer dizer, com a “vida após a morte” mas ainda com uma dimensão mais vasta do que aquela das interações materiais no cotidiano. Em que medida os mecanismos da religião e da política interferem, produzem e são produzidos nos espaços funerários, eis o tema central deste artigo.


Palavras-chave


contextos funerários; religião; política; pólis; espaço social.

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