ROMANIZAÇÃO MULTIVETORIAL

A ELITE IMPERIAL EOS PROVINCIAIS NA CONSTRUÇÃO DE ROMA EM TÁCITO

Autores

Palavras-chave:

Romanização, Elite Imperial, Tácito, Provincialização, Pós-colonialismo, Mediterranização, Segunda Sofística

Resumo

O presente artigo tece uma crítica ao conceito tradicional de “Romanização” e às abordagens que buscam superá-lo (como a globalização/mediterranização e o pós-colonialismo), por considerarem, ainda que com diferentes pontos de vista, Roma como um centro único emissor de poder e cultura relativamente estável e constante. Argumenta-se que o Império Romano não foi um processo linear de unificação, mas sim a articulação de múltiplos processos de integração com níveis e formas diversas. Citando Élio Aristides, Flávio Josefo, Horácio e, notadamente, Tácito (Ann., 3, 55), os autores propõem que a "Romanização" foi, em grande parte, uma Helenização e que, sobretudo a partir da consolidação do Principado, nos séculos I e II d.C., quem governava era uma elite imperial, não uma elite romana. O texto destaca que os provinciais, ao se inserirem no Senado e nas elites, o fizeram por estratégias próprias, “romanizando Roma”, promovendo uma atualização da “romanidade”, muito mais do que “romanizando-se”, e fornecendo valores necessários para a renovação e manutenção do Império em um momento de decadência ou até mesmo aniquilação das antigas famílias nobres romanas.

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Biografia do Autor

Fábio Duarte Joly, Universidade Federal de Ouro Preto

Possui graduação em História (1997), mestrado em História Econômica (2001), doutorado em História Econômica (2006) e pós-doutorado em História (2016), todos pela Universidade de São Paulo. Atualmente é professor titular de História Antiga na Universidade Federal de Ouro Preto, com pesquisas sobre história econômica e social de Roma, com foco no tema da escravidão. Atua nos seguintes grupos de pesquisa: Grupo do Laboratório de Estudos sobre o Império Romano - UNESP/Franca (GLEIR-UNESP/Franca); Subalternos e Práticas Populares na Antiguidade (USP); Laboratório de Estudos sobre o Império Romano (UFOP); MITHRA - Laboratório de História Antiga Global (UFSC), e Ars Antica - Poética, Retórica e Recepção (UFOP).

Fábio Faversani, Universidade Federal de Ouro Preto

É Professor Titular de História Antiga na Universidade Federal de Ouro Preto, onde atua desde 1991. Possui Graduação em Historia (1989), Mestrado (1995) e Doutorado (2001) em História Econômica, todos pela Universidade de São Paulo, e pós-doutorado pela University of Oxford (2003 e 2012-2013), University of St. Andrews (2018-2019) e Universidad Nacional de Mar del Plata (2023-2024). Atualmente, cursa o Bacharelado em Ciências Econômicas (2024-). Realizou estágios de pesquisa no Institute of Classical Studies Library, School of Advanced Studies, University of London; na Bibliothèque Gernet-Glotz, École des Hautes Études en Sciences Sociales e na Bereichsbibliothek Altertumswissenschaften, Ruprecht-Karls Universität Heidelberg. É credenciado pela Ancord e registrado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) como Assessor Autônomo de Investimento. Foi membro titular do Conselho Municipal de Educação de Mariana (2021-2024). Foi secretário geral (2000-2001) e presidente (2014-2015) da Sociedade Brasileira de Estudos Clássicos (SBEC). Foi um dos fundadores do GT História Antiga da Associação Nacional de História (GTHA-ANPUH) (1999) e um de seus Coordenadores Nacionais (2007-2009). Fez parte da Comissão criada pela ANPUH-Brasil para buscar junto ao Congresso Nacional a aprovação da Regulamentação da Profissão de Historiador (2020). Ainda no âmbito da ANPUH-Brasil, integrou o grupo responsável pela curadoria das redes sociais da entidade (2019-2021) e integrou a direção da ANPUH-MG (1994-1996 e 2000-2002). Foi Vice-Presidente da Associação de Docentes da UFOP (Adufop, seção do ANDES-SN) (1999-2001). Coordenou em colaboração com Adriano Cerqueira, entre 1999 e 2005, o Neaspoc, núcleo acadêmico responsável pelo desenvolvimento de pesquisas de opinião e de mercado, que atou em parceria com diversas empresas e órgãos de imprensa. Foi Coordenador-Geral junto com Guiomar de Grammont do Festival de Inverno de Ouro Preto e Mariana da UFOP e do Fórum das Letras de Ouro Preto nos anos inaugurais destes dois eventos, entre 2005 e 2007. Foi Presidente do Colegiado do curso de Bacharelado em História da UFOP (2022-2023), Chefe do Departamento de História (2009-2010) e Vice-Diretor e Diretor pro tempore do Instituto de Ciências Humanas e Sociais (ICHS) (2001-2002), além de Pró-Reitor de Extensão (2005-2008) e Pró-Reitor de Pesquisa e Pós-Graduação (2015-2017) da UFOP. Está tesoureiro da Associação de Amigos do ICHS (ASA-ICHS) desde sua fundação (2023). Atua na Linha 2 (Ideias, Linguagens e Historiografia) do Programa de Pós-Graduação em História, da UFOP. Coordena o Laboratório de Estudos sobre o Império Romano, LEIR-UFOP, em colaboração com Fábio Joly e Alexandre Agnolon e é vice-líder do LEIR-Nacional. Atua nos Conselhos de 14 periódicos do Brasil e do exterior, como parecerista para diversas agências de fomento e avaliador em rankings brasileiros e internacionais. É investigador do Centro de Estudos Clássicos e Humanísticos (CECH), da Universidade de Coimbra, membro associado do Laboratório de História Antiga (LHIA), da UFRJ, pesquisador do G.LEIR-UNESP/Franca e do grupo Ars Antica - Poética, Retórica e Recepção, da UFOP. Filiado à Anpuh-Brasil, SBEC, SBPC e à Roman Society. Tem experiência na área de História, com ênfase em História Antiga, atuando principalmente nos seguintes temas: História Antiga, Roma Antiga, Ensino de História Antiga, Cícero, Salústio, Sêneca, Petrônio,Tácito, Suetônio, Corrupção, República Romana e Principado Romano.

Referências

Documentação

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Publicado

2026-07-18

Como Citar

JOLY, Fábio Duarte; FAVERSANI, Fábio. ROMANIZAÇÃO MULTIVETORIAL: A ELITE IMPERIAL EOS PROVINCIAIS NA CONSTRUÇÃO DE ROMA EM TÁCITO. PHOÎNIX, [S. l.], v. 32, n. 1, p. 140–154, 2026. Disponível em: https://revistas.ufrj.br/index.php/phoinix/article/view/72931. Acesso em: 22 jul. 2026.