MARIA GRAHAM E A DOCUMENTAÇÃO DO FEMININO NO BRASIL NA PRIMEIRA METADE DO OITOCENTOS

Márcia Cristina de Oliveira Santos Matheus

Resumo


Na primeira metade do século XIX, excetuando-se as correspondências privadas e públicas, são relativamente poucos os documentos produzidos por mulheres que nos servem hoje como registros historiográficos. Tais aspectos tornam valioso o diário de viagem escrito por Maria Graham, mais particularmente, por este ser um texto de autoria feminina em que figuram outras mulheres. Com base nesta peculiaridade, esta pesquisa recorta, para fins de análise passagens textuais, trechos em que Graham constrói discursivamente o seu próprio gênero. Nela, interessam mais especificamente as situações em que ocorre a “dupla documentação”, isto é, excertos nos quais a narrativa de si mesma é contrastada com a narrativa do outro no Brasil, a partir de uma perspectiva dicotômica entre o “certo” e o “desviante”.


Palavras-chave


Relatos de viagem; Maria Graham; Análise do Discurso Crítica; Dupla documentação do feminino; Primeiro-Reinado

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