Gênero e memória ribeirinha em cena
leituras discursivas de um mini-documentário na Amazônia tocantina
DOI:
https://doi.org/10.61358/policromias.2025.v10nEspecial.71764Resumo
Este artigo analisa a matéria verbal do documentário Festival do Camarão de Itaperuçu (2017), tomando como referencial a Análise do Discurso de filiação francesa (Orlandi, 2015; Pêcheux, 1997) para compreender em que medida o audiovisual funciona como dispositivo de funcionamento da memória, da história e da identidade de uma comunidade ribeirinha e como, nesse processo, o papel da mulher é inscrito ou regulado. Adota-se abordagem qualitativa, de natureza discursiva, com corpus único (transcrição integral do documentário), segmentado em sequências de maior densidade e interpretado à luz das noções de condições de produção, memória discursiva, formação discursiva e silêncio constitutivo. Resultados indicam que o filme, ao mesmo tempo que arquiva o já-dito sobre a origem e o crescimento do festival, administra as vozes de modo a manter o eixo interpretativo no masculino e a inserir o feminino sobretudo pelo léxico da participação e da deferência. Conclui-se que o documentário reforça a inscrição pública da comunidade como sujeito de cultura, mas deixa entrever assimetrias de gênero que merecem ser problematizadas.
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