Histórias ribeirinhas a partir da Amazônia tocantina
discurso, memória e implicações para o ensino
DOI:
https://doi.org/10.61358/policromias.2025.v10nEspecial.71766Resumo
O artigo analisa três histórias ribeirinhas narradas por moradores da comunidade quilombola ribeirinha de Itaperuçu, em Baião-PA, tomando-as como materialidades discursivas que condensam memórias de gênero, raça, classe, trabalho, território e Estado. Ancorada na Análise de Discurso francesa, em estudos decoloniais, na interculturalidade crítica e na educação linguística crítica, a pesquisa se inscreve em uma perspectiva qualitativa e discursivo-interpretativa. O corpus é composto pelas narrativas da Matinta, da Cobra Grande/Noratinho e do Ouro, registradas em contexto de projeto comunitário e transcritas para análise. A leitura das histórias evidencia disputas de sentidos em torno da autoria feminina, da racialização de corpos ribeirinhos e da naturalização da violência estatal, deslocando a classificação escolar dessas narrativas como “folclore”. Argumenta-se que, quando mobilizadas em projetos de educação linguística, essas histórias podem favorecer a autoria discente, a leitura crítica da colonialidade e a valorização de saberes amazônicos. O texto conclui defendendo a ampliação de investigações pedagógicas baseadas em tradições orais em escolas de contexto rural amazônico
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