Perspectivas sobre o uso da análise da atividade na Terapia Ocupacional: um estudo com preceptores / Perspectives on the use of activity analysis in Occupational Therapy: a study with preceptors

Jean Felix, Ana Carollyne Dantas de Lima

Resumo


As atividades, bem como sua análise, são ferramentas importantes para o terapeuta ocupacional. Tomando-as como instrumento, o profissional poderá favorecer ações para a experimentação, ensinar novas maneiras de fazer, estabelecer um elo entre o falar e o fazer, além de auxiliar na significação do que é e foi vivido pelo indivíduo. Objetivo: apresentar a percepção dos terapeutas ocupacionais quanto ao uso da análise da atividade na sua prática e a relação com o local de atuação. Método: Estudo quantitativo exploratório e descritivo, realizado através de questionário em meio eletrônico entre julho e agosto de 2018. Os dados coletados foram analisados através de frequência simples e categorias das falas dos participantes. Resultados: A amostra foi composta por 13 preceptores, na maioria mulheres, atuantes no campo da saúde. Todos os participantes relataram utilizar a análise da atividade com ou sem roteiro específico. A maioria utilizou a análise da atividade para planejamento da intervenção e individualização do atendimento. Os participantes também ressaltaram a importância da análise da atividade e sua influência no serviço de atuação. Conclusão: Para os terapeutas ocupacionais avaliados, a análise da atividade tem importância na sua prática profissional e seu uso tem relação ou influência nos serviços que atuam. Não houve uma única maneira de conceber e utilizar a análise da atividade, mas sim diferentes formas de enxergar e de proceder. Ressalta-se que neste estudo todos os participantes atuavam no campo da saúde, desta forma, os dados aqui apresentados podem ser reflexo deste campo de atuação.

Palavras-chave: Terapia Ocupacional; Atividades; Atividades cotidianas; Preceptoria.

 

ABSTRACT: Activities, as well as their analysis, are important tools for the occupational therapist. Taking them as an instrument, the professional can favor actions for experimentation, teach new ways of doing, establish a link between speaking and doing, in addition to helping in the meaning of what is and was experienced by the individual. Objective: to present the perception of occupational therapists regarding the use of activity analysis in their practice and the relationship with the place of practice. Method: Quantitative exploratory and descriptive study, carried out through a questionnaire in electronic media between July and August 2018. The data collected were analyzed through simple frequency and categories of the participants' statements. Results: The sample consisted of 13 preceptors, mostly women, working in the health field. All participants reported using the activity analysis with or without a specific script. Most used the activity analysis to plan the intervention and individualize care. Participants also stressed the importance of analyzing the activity and its influence on the service. Conclusion: For the occupational therapists evaluated, the analysis of the activity is important in their professional practice and its use has a relationship or influence on the services they work on. There was no single way to conceive and use the analysis of activity, but different ways of seeing and proceeding. It is noteworthy that in this study all participants worked in the field of health, thus, the data presented here may reflect this field of action.

Keywords: occupational therapy; activities; activities of daily living; preceptorship.

 

RESUMEN: Las actividades, así como su análisis, son herramientas importantes para el terapeuta ocupacional. Tomándolos como instrumento, el profesional puede favorecer acciones de experimentación, enseñar nuevas formas de hacer, establecer un vínculo entre hablar y hacer, además de ayudar en el significado de lo que es y fue experimentado por el individuo. Objetivo: presentar la percepción de los terapeutas ocupacionales sobre el uso del análisis de actividad en su práctica y la relación con el lugar de práctica. Método: Estudio cuantitativo, exploratorio y descriptivo, realizado a través de un cuestionario electrónico entre julio y agosto de 2018. Los datos recolectados fueron analizados mediante frecuencia simple y categorías de declaraciones de los participantes. Resultados: La muestra estuvo conformada por 13 preceptoras, en su mayoría mujeres, que trabajan en el campo de la salud. Todos los participantes informaron haber utilizado el análisis de actividad con o sin un guión específico. La mayoría utilizó el análisis de actividad para planificar la intervención e individualizar la atención. Los participantes también destacaron la importancia de analizar la actividad y su influência en el servicio. Conclusión: Para los terapeutas ocupacionales evaluados, el análisis de la actividad es importante en su práctica profesional y su uso tiene relación o influencia en los servicios en los que trabajan. No había una única forma de concebir y utilizar el análisis de la actividad, sino diferentes formas de ver y de proceder. Es de destacar que en este estudio todos los participantes trabajaron en el campo de la salud, por lo que los datos aquí presentados pueden reflejar este campo de acción.

Palabrasclave: terapia ocupacional; actividades; actividades diarias; preceptoría.


Palavras-chave


Terapia Ocupacional; Atividades; Atividades cotidianas; Preceptoria

Texto completo:

PDF

Referências


Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (coffito). http: https://www.coffito.gov.br/nsite/?page_id=3382

Benetton J; Marcolino TQ. As atividades no Método Terapia Ocupacional Dinâmica. Cad Bras Ter Ocup São Carlos. São Carlos. 2013; 3 (21): 645-652. http://doi.editoracubo.com.br/10.4322/cto.2013.067.

Francisco BR. Terapia Ocupacional. 2ª ed. rev. e atual. Campinas: Papirus, 2001. 95 p.

Falcão IV; Guimarães DSL. Análise de atividades e formação do terapeuta ocupacional: um estudo com os preceptores de estágio da UFPE. Rev Ter Ocup Univ São Paulo. São Paulo. 2004; 2(15): 63-70. https://doi.org/10.11606/issn.2238-6149.v15i2p63-70.

Galheigo SM. Perspectiva crítica y compleja de la Terapia Ocupacional: actividad, cotidiano, diversidade, justicia social y compromiso ético político. TOG (A Coruña). [revista en Internet] 2012; 5: 176-189.

Feriotti ML. Construcción de la identidad profesional del terapeuta ocupacional en el marco epistemológico actual: una mirada particular desde Brasil. TOG (A Coruña) [revista en Internet]. 2017; 14 (25): 17-31.

Salles MM; Matsukura TS. O uso dos conceitos de ocupação e atividade na Terapia Ocupacional: uma revisão sistemática da literatura. Cad Bras Ter Ocup São Carlos. 2016; 24 (4): 801-810. http://dx.doi.org/10.4322/0104-4931.ctoAR0525.

Marcolino TQ; Fantinatti EN. A transformação na utilização e conceituação de atividades na obra de Jô Benetton. Rev Ter Ocup Univ São Paulo. 2014; 25 (2): 142-50. http://dx.doi.org/10.11606/issn.2238-6149.v25i´2p142-50.

Silva CR; Poellnitz JCV. Atividades na formação do terapeuta ocupacional. Rev Ter Ocup Univ São Paulo. 2015; 26 (1): 74-82. http://dx.doi.org/10.11606/issn.2238-6149.v26i1p74-82.

Lima EMF. A. A análise de atividade e a construção do olhar do terapeuta ocupacional. Rev Ter Ocup Univ São Paulo. 2004; 15 (2): 42-8. https://doi.org/10.11606/issn.2238-6149.v15i2p42-48.

Vieira SR; Cazeiro APM. Análise de jogos e brincadeiras para o contexto hospitalar. Rev Interinst Bras Ter Ocup Rio de Janeiro. 2017; 1 (2): 127-148. https://revistas.ufrj.br/index.php/ribto/article/view/4639/pdf_1.

Rangel BR; Genetti CF; Garcia DB; Kato LG; Furlan PG; Vicentini VCR; Joaquim RHVT; Akashi LT. Conhecendo as concepções e as práticas de análise da atividade dos terapeutas ocupacionais. Cad Bras Ter Ocup São Carlos. 2003; 11 (1): 62-74. http://www.cadernosdeterapiaocupacional.ufscar.br/index.php/cadernos/article/view/206/161.

Lima EMF; Okumab DG; Pastorec MDN. Atividade, ação, fazer e ocupação: a discussão dos termos na Terapia Ocupacional brasileira. Cad. Ter. Ocup. UFSCar, São Carlos. 2013; 21, (2): 243-254. http://dx.doi.org/10.4322/cto.2013.026.

Minayo, MC de S. O desafio do conhecimento. 10. ed. São Paulo: HUCITEC, 2007.

De Carlo MMRP; Bartalotti CC. Caminhos da terapia ocupacional. In: Terapia ocupacional no Brasil: fundamentos e perspectivas. 1 ed. São Paulo: Plexus. 2001. p. 19-40.

Magalhães LV. Os terapeutas ocupacionais no Brasil: sob o signo da contradição [Dissertação]. Campinas: Faculdade de Educação, Universidade Estadual de Campinas; 1989.

Silva DB. A Terapia Ocupacional no Brasil na perspectiva sociológica [Tese]. Curitiba: Pós-graduação em Sociologia, Setor de Ciências Humanas da Universidade Federal do Paraná; 2017.

Pan LC; Lopes RE. Políticas de ensino superior e a graduação em Terapia Ocupacional nas Instituições Federais de Ensino Superior no Brasil. Cad Bras Ter Ocup São Carlos. 2016; 24 (3): 457-468. http://dx.doi.org/10.4322/0104-4931.ctoAO0704.

Lopes RE; Malfitano APS; Oliver FC; Sfair SC; Medeiros TJ. Pesquisa em terapia ocupacional: apontamentos acerca dos caminhos acadêmicos no cenário nacional. Rev Ter Ocup Univ São Paulo. 2010; 21 (3): 207-214. https://doi.org/10.11606/issn.2238-6149.v21i3p207-214.

Gomes ML; Oliver FC. A prática da terapia ocupacional junto à população infantil: revisão bibliográfica do período de 1999 a 2009. Rev Ter Ocup Univ São Paulo. 2010; 21 (2): 121-129. https://doi.org/10.11606/issn.2238-6149.v21i3p207-214.

Matsukura TS; Soragni M. Terapia Ocupacional e autismo infantil: Identificando práticas de intervenção e pesquisas. Rev Baiana Ter Ocup. 2013; 2 (1):29-40.

Dias CCV. Mães de crianças autistas: sobrecarga do cuidador e representações sociais sobre o autismo [Dissetação]. João Pessoa: Pós-Graduação em Psicologia Social da Universidade Federal da Paraíba; 2017.

Brasil. Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (coffito). Resolução nº 406, de 7 de novembro de 2011; [acesso em 2020 jul. 25]. Disponível em:https://www.coffito.gov.br/nsite/?p=3169 Resolução n° 500, de 26 de dezembro de 2018. Disciplina a especialidade profissional Terapia Ocupacional nos Contextos Sociais e da Educação e Dá Outras Providências. [acesso em 2020 jul 25]. Disponível em: https://www.coffito.gov.br/nsite/?p=10488. Brasília; 2011.

Stoffela DP; Nickelb R. A utilização da atividade como ferramenta no processo de intervenção do terapeuta ocupacional em reabilitação neurológica. Cad Bras Ter Ocup São Carlos. 2013; 21 (3): 617-622. http://dx.doi.org/10.4322/cto.2013.064.

Crepeau EB. Análise de atividades: uma forma de refletir sobre o desempenho ocupacional. In: Willard & Spackman: terapia ocupacional. 9. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2002. p.121-133.

Associação Brasileira dos Terapeutas Ocupacionais (abrato). A terapia ocupacional e as atividades de vida diária, atividades instrumentais da vida diária e tecnologia assistiva. Fortaleza: ABRATO; 2011.

Nascimento BA. O mito da atividade terapêutica. Rev Ter Ocup Univ São Paulo. 1990; 1 (1): p.18-21.

Magalhães L. Ocupação e atividade: tendências e tensões conceituais na literatura anglófona da terapia ocupacional e da ciência ocupacional. Cad Bras Ter Ocup São Carlos. 2013; 21 (2): 255-263. http://dx.doi.org/10.4322/cto.2013.027.

Medeiros MH. Terapia ocupacional: um enfoque epistemológico e social. 1a ed. São Carlos: Hucitec/EdUFSCar; 2003.

Galheigo SM. Narrativas contemporâneas: significado, diversidade e contexto. Rev Ter Ocup Univ São Paulo. 2009; 20, (1): 8-12. https://doi.org/10.11606/issn.2238-6149.v20i1p8-12.




DOI: https://doi.org/10.47222/2526-3544.rbto35442

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Direitos autorais 2020 Revista Interinstitucional Brasileira de Terapia Ocupacional - REVISBRATO



Indexado em:

   

           

   Resultado de imagem para REDIB