Análise do humor, qualidade de vida e fadiga de crianças e adolescentes hospitalizados para realização de transplante de células-tronco hematopoéticas/Analysis of humor, quality of life and fatigue of children and adolescents hospitalized for hematopoetic stem cell transplantation

Ana Claudia Bastos, Dayane Regina dos Santos, Jacqueline de Aguiar, Gisele Loth

Resumo


Introdução: O transplante de células-tronco hematopoéticas (TCTH) é um tratamento que exige um longo período de hospitalização e pode impactar negativamente o desenvolvimento neuropsicomotor e o desempenho ocupacional. Objetivo: O estudo teve o objetivo analisar a fadiga, o humor e a qualidade de vida de crianças e adolescentes hospitalizados para o TCTH. Métodos: Pesquisa descritiva, quantitativa, longitudinal, realizada no Serviço de Transplante de Medula Óssea de um hospital universitário, a partir de um questionário sociodemográfico, a Escala de Faces de Humor, o questionário “Qualidade de Vida Pediátrica” e “Qualidade de Vida Pediátrica - Escala Multidimensional do Cansaço”, aplicado em três momentos diferentes. Resultados: Na amostra de 12 participantes, 7 eram do sexo masculino, a média de idade de 8,8 anos e o diagnóstico predominante foi Anemia de Fanconi. O período médio de internação foi de 37,2 dias. Houve declínio significativo do humor e da qualidade de vida no período pós-TCTH imediato, no qual também se observou aumento da intensidade da fadiga. A análise estatística mostrou significância na correlação entre as variáveis humor e sexo, sendo que o sexo masculino apresentou humor mais feliz no momento da internação. As variáveis fadiga e idade também demonstraram significância, sendo que os participantes de maior idade relataram maior fadiga. Conclusão: Destaca-se a importância de observar as fases do TCTH em que se encontra o paciente, para propor intervenções e ações terapêuticas ocupacionais condizentes com a necessidade, disponibilidade e disposição do paciente, tendo em vista seu bem-estar e qualidade de vida.

Palavras chaves: Criança hospitalizada. Humor. Qualidade de vida. Fadiga. Transplante de Células-Tronco Hematopoéticas 


Abstract

Introduction: Hematopoietic stem cell transplantation (HSCT) is a treatment that requires a long period of hospitalization and can negatively impact neuropsychomotor development and occupational performance. Objective: The study aimed to analyze the fatigue, mood and quality of life of children and adolescents hospitalized for HSCT. Methods: Descriptive, quantitative, longitudinal research, carried out at the Bone Marrow Transplant Service of a university hospital, using a sociodemographic questionnaire, the Faces of Humor Scale, the “Pediatric Quality of Life” and “Pediatric Quality of Life” questionnaire - Multidimensional Scale of Tiredness”, applied in three different moments. Results: In the sample of 12 participants, 7 were male, with a mean age of 8.8 years and the predominant diagnosis was Fanconi Anemia. The average hospital stay was 37.2 days. There was a significant decline in mood and quality of life in the immediate post-HSCT period, in which there was also an increase in the intensity of fatigue. The statistical analysis showed significance in the correlation between the variables of mood and sex, with the male gender having a happier mood at the time of hospitalization. The variables fatigue and age also showed significance, with older participants reporting greater fatigue. Conclusion: The importance of observing the stages of the HSCT in which the patient is is highlighted, in order to propose therapeutic interventions and actions consistent with the patient's availability and disposition, in view of his well-being and quality of life.

Keywords: Hospitalized child. Humor. Quality of life. Fatigue. Hematopoietic stem cell transplantation.

 

Resumen

Introducción: El trasplante de células madre hematopoyéticas (TCMH) es un tratamiento que requiere un largo período de hospitalización y puede impactar negativamente el desarrollo neuropsicomotor y el desempeño ocupacional. Objetivo: El estudio tuvo como objetivo analizar la fatiga, el estado de ánimo y la calidad de vida de niños y adolescentes hospitalizados por TCMH. Métodos: Investigación descriptiva, cuantitativa, longitudinal, realizada en el Servicio de Trasplante de Médula Ósea de un hospital universitario, utilizando un cuestionario sociodemográfico, la Escala Caras de Humor, el cuestionario “Calidad de Vida Pediátrica” y “Calidad de Vida Pediátrica” - Multidimensional Escala de cansancio ”, aplicada en tres momentos diferentes. Resultados: En la muestra de 12 participantes, 7 eran varones, con una edad media de 8,8 años y el diagnóstico predominante fue Anemia de Fanconi. La estancia hospitalaria media fue de 37,2 días. Hubo una disminución significativa en el estado de ánimo y la calidad de vida en el período inmediatamente posterior al TCMH, en el que también hubo un aumento en la intensidad de la fatiga. El análisis estadístico mostró significancia en la correlación entre las variables estado de ánimo y sexo, teniendo el género masculino un estado de ánimo más feliz al momento de la hospitalización. Las variables fatiga y edad también demostraron importancia, y los participantes mayores informaron una mayor fatiga. Conclusión: Se destaca la importancia de observar las etapas del TCMH en las que se encuentra el paciente, para proponer intervenciones y acciones terapéuticas acordes con la disponibilidad y disposición del paciente, en vista de su bienestar y calidad de vida.

Palabrasclave: Niño hospitalizado. Humor. Calidad de vida. Fatiga. Trasplante de células madre hematopoyéticas.


Palavras-chave


Terapia Ocupacional, saúde

Texto completo:

PDF

Referências


Armond, L.C.; Boemer, M.R. (2004). Convivendo com a hospitalização do filho adolescente. Revista Latino-Americana de Enfermagem, 2, 924-32.

Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia [ABRALE]. Tipos de Transplante de Medula Óssea - TMO. [S. l.], 12 abr. 2016. Disponível em: https://www. abrale. org.br/tmo/tipos#alogenico.

Baggott, C. R. et al. (2010). An evaluation of the factors that affect the health-related quality of life of children following myelosuppressive chemotherapy. Supportive Care in Cancer, Berlin, 19(3), 353-61.

Bonassa, E. M. A. (2005). Efeitos colaterais dos antineoplásicos. In: Bonassa, EMA; Santana, TR. Enfermagem em terapêutica oncológica. (3ª ed.) São Paulo: Atheneu. p. 241-268.

Castro, C. G. et al. (2001). Transplante de medula óssea e transplante de sangue de cordão umbilical em pediatria. J. Pediatr. (Rio J.), 77(5), 345-360. https://doi.org/10.1590/S0021-75572001000500004

Giardineto, A. R. S. B et al. (2009). A importância da atuação da terapia ocupacional com a população infantil hospitalizada: a visão de profissionais da área da saúde. Cadernos de Terapia Ocupacional da UFSCar, 17(1), 63-69.

Grigolatto, T. et al. (2008). Intervenção Terapêutica Ocupacional em CTI pediátrico: um estudo de caso. Cadernos de Terapia Ocupacional da UFSCar, 16(1), 37-46.

Guedes, D. P., Guedes, J.E.R.P. (1997). Crescimento, composição corporal e desempenho motor de crianças e adolescentes. São Paulo.

Hinds, P. S. et al. (2007). Validity and reliability of a new instrument to measure cancer-related fatigue in adolescents. J Pain Symptom Manage, 34(6), 607-618. http://doi.org/10.1016/j.jpainsymman.2007.01.009

Hintz, L. G. et al. (2019). Perfil clínico-epidemiológico de crianças e adolescentes em tratamento oncológico. Revista Ciências e Saúde, 12(1). https://doi.org/10.15448/1983-652X.2019.1.31421

Idemori, T. C., & Martinez, CMS. (2016). Terapia ocupacional e o setor de transplante de medula óssea infantil. Cadernos de Terapia Ocupacional da UFSCar, 24(2), 275-285.

Longras, A. (2015). O Poder Analgésico do Riso. [Dissertação de Mestrado, Universidade de Coimbra].

Maria, F. et al. (2010). Cuidado paliativo: benefícios da ludoterapia em crianças hospitalizadas com câncer. Bol Acad Paul Psicol, 78(1), p. 168–83.

Mccabe, M. (2009). Fatigue in children with long-term conditions: an evolutionary concept analysis. Journal of Advanced Nursing, 65(8), 1735-45. http://doi.org/10.1111/j.1365-2648.2009.05046.x

Melo, F. F. L. G. (2019). Intervenções baseadas no humor da criança hospitalizada: revisão da literatura [Dissertação de mestrado, Universidade da Beira Interior].

Mello, M. A. F. et al. (2004). Processo avaliativo em Terapia Ocupacional. In: DE CARLO, M. M. P., & LUZO, M. C. M. Terapia Ocupacional: reabilitação física e contextos hospitalares. São Paulo: Roca. p. 74-98.

Molina, R. C. M; Marcon, S. S. (2009). Benefícios da permanência de participação da mãe no cuidado ao filho hospitalizado. Rev. Esc. Enferm. USP., 43(4), 856-64. https://doi.org/10.1590/S0080-62342009000400017

Najman, J. M; LEVINE, S. (1981). Evaluating the impacto f medical care and Technologies on the quality of life: a review and critique. Social Science & Medicine, 15, 107-15. https://doi.org/10.1016/0271-5392(81)90012-5

Oliveira-Cardoso, E. A. et al. (2009). Qualidade de vida de sobreviventes do transplante de medula óssea (TMO): um estudo prospectivo. Psicologia: Teoria e Pesquisa, Brasília. 25(4), 621-628. https://doi.org/10.1590/S0102-37722009000400018

Ortega, E. T. T, Stelmatchuk, AM, Cristoff, C. (2009). Assistência de enfermagem em transplante de célulastronco hematopoéticas. cap. 37. In: Volterelli JC, Pasquini R, Ortega ETT. Transplante de célulastronco hematopoéticas. São Paulo (SP): Editora Atheneu. p. 1031-98.

Oslon, K, et al. (2008). Possible links between behavioral and physiological indices of tiredness, fatigue, and exhaustion in advanced cancer. Support Care Cancer, 16 (3), 241-9. http://doi.org/10.1007/s00520-007-0298-8

Pfeifer, L. I. et al. (2013). Estados emocionais de crianças em ambiente hospitalar. Temas sobre Desenvolvimento, 19(104), 35-41.

Rodrigues, J. A. P. et al. (2019). Perfil clínico de crianças submetidas a transplante de células-tronco hematopoiéticas. Cogitare enferm, 24 (e55967). http://dx. doi. org/10. 5380/ce. v24i0. 55967

Santos, C.A. (2008). As preferências lúdicas e de lazer de adolescentes hospitalizados: aproximações entre hospital público e particular [trabalho de conclusão de curso]. Ribeirão Preto: Universidade de São Paulo, Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto.

Santos, D. R. (2013). Aplicabilidade do modelo lúdico no processo terapêutico ocupacional de cuidado da criança em transplante de células-tronco hematopoéticas [Dissertação de mestrado, Universidade Federal do Paraná].

Santos, D.R., & Santos, G.M.D.C. (2018). O homem e sua natureza ocupacional: intervenções terapêuticas ocupacionais em um ambiente de privações. In M. P. Dóro, J. M. Pelaez, & R.C. Wenth (orgs). Onco-hemato-transplante: o caminhar interdisciplinar (p. 159-174). Editora Prismas, Curitiba.

Sime, M. M., Shishido, N. S., & Santos, W. A. (2011) Caracterização do perfil da clientela do setor de terapia ocupacional na Oncologia pediátrica. Revista Brasileira de Cancerologia, 57(2), 167- 175.

Varni, J. W. et al. (1998). The Pediatric Cancer Quality of Life Inventory (PCQL). I. Instrument development, descriptive statistics, and cross-informant variance. J Behav Med. 21, 179-204. http://doi.org/ 10.1023/a:1018779908502

Varni, J. W. et al. (2002). The PedsQL in pediatric cancer: reliability and validity of the pediatric quality of life inventory generic core scales, multidimensional fatigue scale, and cancer module. Cancer, 94(7):2090-106. http://doi.org/10.1002/cncr.10428

Wingard, J. R, et al. (2002). Stem call transplantation: supportive care and long-term complications. Hematology Am Soc Hematol Educ Program, 1, 422-44. http://dx. doi. org/10.1182/asheducation-2002.1.422




DOI: https://doi.org/10.47222/2526-3544.rbto41482

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Direitos autorais 2021 Revista Interinstitucional Brasileira de Terapia Ocupacional - REVISBRATO



Indexado em:

   

           

   Resultado de imagem para REDIB