Saudações às yabás: por decolonizações materno-simbólicas que produzam novos modos de pensar e viver o cotidiano
Greeting the Yabás: for maternal-symbolic decolonizations that produce new ways of thinking and living everyday life
DOI:
https://doi.org/10.47222/2526-3544.rbto65053Palavras-chave:
Terapia Ocupacional, Atividades Afrorreferenciadas, Análise de Gênero, decolonialidadeResumo
Introdução: Uma parceria entre a Liga das Artes Maria Faceira da Universidade Federal do Triângulo Mineiro e uma casa de Candomblé concebeu um curso sobre o estudo dos Orixás. Por meio dos mitos dos Orixás, promoveu-se o tensionamento dos arquétipos eurocristãos que colonizam o imaginário coletivo e impactam os fazeres cotidianos. Objetivos: Buscou-se analisar os impactos dos mitos das Yabás quanto aos possíveis deslocamentos do imaginário das mulheres participantes frente aos moldes arquetípicos eurocristãos e seus desdobramentos no fazer cotidiano. Métodos: Utilizou-se a abordagem qualitativa de pesquisa exploratória, por meio de um grupo focal com cinco mulheres, com idades entre 21 e 61 anos. As narrativas apontaram dois núcleos de sentidos: 1) Nanã e a decolonização do arquétipo da mãe perfeita; 2) Decolonizar a culpabilidade eurocristã. Resultados: O mito dos Orixás, especialmente das Yabás, provocou um deslocamento no imaginário das mulheres participantes ao refletirem sobre o cotidiano da maternidade, bem como sobre o sentimento de culpa que persegue as mulheres diante do ideário da mãe/mulher perfeita. Conclusão: A pesquisa apontou um caminho relevante ao campo investigativo da terapia ocupacional ao afirmar a potência das representações simbólicas sagradas das Yabás para produzir novos modos de pensar e viver o cotidiano. Os deslocamentos tecidos pelas participantes, apontam para a importância de práxis decoloniais que tensionem a forma como as mulheres têm produzido as atividades cotidianas socialmente atribuídas ao gênero feminino, especialmente ligadas ao agenciamento da maternidade, conforme demonstrado neste estudo.
Abstract
Introduction: A partnership between the Liga das Artes Maria Faceira at the Federal University of Triângulo Mineiro and a Candomblé house led to the creation of a course on the Study of the Orixás. Through the myths of the Orixás, Euro-Christian archetypes that colonize the collective imagination and influence daily practices were questioned and challenged. Objectives: The study aimed to analyze the impact of the Yabás' myths on the possible shifts in the participants’ imagination, particularly women, in relation to Euro-Christian archetypal models and their effects on daily life. Methods: A qualitative, exploratory research approach was used, through a focus group consisting of five women aged between 21 and 61. The narratives revealed two main meaning clusters: 1) Nanã and the decolonization of the "perfect mother" archetype; 2) Decolonizing Euro-Christian guilt. Results: The myths of the Orixás, especially those of the Yabás, provoked a shift in the participants’ imaginaries, particularly in how they think about motherhood and the persistent feeling of guilt associated with the ideal of the perfect mother/woman. Conclusion: The research identified a significant direction for the field of occupational therapy by emphasizing the potential of the sacred symbolic representations of the Yabás to foster new ways of thinking and engaging with daily life. The shifts articulated by the participants underscore the importance of decolonial praxis that critically interrogate the ways in which women have historically enacted daily activities socially assigned to the feminine gender, particularly those associated with motherhood, as demonstrated in this study.
Keywords: Occupational Therapy, Afro-referenced Activities, Gender Analysis, Decoloniality.
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