Shakespeare nas favelas: adaptando Romeu e Julieta para o cinema brasileiro

Marcel Alvaro de Amorim

Resumo


Com base em recentes teorias sobre a adaptação de obras literárias para o cinema, este artigo tem como objetivo analisar duas versão fílmicas da peça Romeu e Julieta (1595-1596), de William Shakespeare, produzidas no Brasil durante a primeira década do século XXI. É minha intenção argumentar que os filmes analisados – Era uma vez... (Breno Silveira, 2008) e Maré nossa história de amor (Lúcia Murat, 2008) –, mais que adaptações culturais, são leituras antropofágicas da famosa tragédia shakespeariana. Nesse sentido, considero que é a partir da devoração transcultural do estranho/estrangeiro e de sua reconstrução como um outro, que os significados dos textos fímicos são construídos. Assim, é foco deste artigo a intenção de considerar os fatores socioculturais como centrais nos vários procedimentos desenvolvidos durante a adaptação dos filmes em questão.


Palavras-chave


William Shakepeare, Romeu e Julieta, Adaptação, Antropofagia.

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