O revide da língua: a decolonização do pensamento na poética do slam

Autores

Palavras-chave:

Poesia, Língua, Decolonialidade, Brasil

Resumo

Este artigo investiga como a poética do slam pode ser considerada uma produção literária de perspectiva decolonial, com foco sobre a colonialidade da linguagem e do ser. A partir do poema “Je ne parle pas bien”, criado pela slammer brasileira Luz Ribeiro para se apresentar na Copa do Mundo de Poesia em Paris (2017), a língua é um instrumento de revide às imposições colonialistas. Logo, a aprendizagem e a subversão das línguas impostas pela colonização são estratégias para a resistência, a decolonização do pensamento e a reescrita da história. 

Biografia do Autor

Érica Alessandra Paiva Rosa, Universidade Estadual de Londrina

Graduada em Letras Português e Francês e mestra em Letras pela Universidade Estadual de Maringá (UEM). É doutoranda em Estudos Literários pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) com bolsa pelo CNPq, professora de Línguas e Literatura e pesquisadora sobre a poesia contemporânea de autoria feminina, com interesse pelas representações identitárias. Participa do Grupo de Estudos Multiculturalismo em Perspectivas Pós-Coloniais (GEMUP) e do Grupo de Estudos Literatura, Brasilidade, Etnia e Cultura (GELBEC). Atua como produtora cultural desenvolvendo projetos multiartísticos e de formação artístico-cultural. É organizadora do Slam Pé Vermelho (Maringá – PR) e do Slam Paraná (etapa estadual do circuito).

Suely Leite, Universidade Estadual de Londrina

Professora associada do Departamento de Letras da Universidade Estadual de Londrina com docência na área de Teoria da Literatura e Literatura Brasileira. Docente permanente do Programa de Pós-Graduação em Letras/UEL. Membro do GT da ANPOLL “A mulher na Literatura”, dos grupos de pesquisa “LAFEB- Literatura de autoria feminina brasileira”, “Legado intelectual e produção literária de autoria feminina na América Latina” e “Mulheres em contos: representações de gênero na contística de autoria feminina no período de 1970-2000.” Pós-doc pela Universidade Federal Fluminense, com projeto sobre a literatura de Elvira Vigna, supervisionado por Eurídice Figueiredo. Desenvolve e orienta pesquisas sobre estudos de gênero e autoria feminina.

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Publicado

2023-06-08