A liberdade do pensar: a recepção de Nietzsche por Heinrich Mann

Leonardo Camargo da Silva

Resumo


A nova tradução do ensaio de Heinrich Mann (1871-1950), Nietzsche, em tradução cuidadosa de Maria Aparecida Barbosa e Werner Heidermann pela Editora Três Estrelas, coloca em debate mais uma vez o tema da recepção dos escritos do autor de Zaratustra. Com efeito, a filosofia de Nietzsche sempre foi objeto das apropriações mais variadas, alvo de diversos equívocos interpretativos e, até mesmo, manipulações ideológicas que jamais poderiam amparar-se na totalidade do corpus nietzschiano. A recepção dos seus escritos esteve por muito tempo sujeita à arbitrariedade dos leitores e suas intenções, algo que o próprio Nietzsche já identificara, em 1888, ao escrever Ecce homo: “Quem acreditou ter entendido algo de mim, havia ajustado algo de mim à sua imagem – não raro um oposto de mim, por exemplo, um ‘idealista’; quem não entendeu nada de mim, negava que eu em geral entrasse em consideração” 1 . Apenas na década de 1960, com a publicação da edição crítica das obras completas de Nietzsche, fruto do rigoroso e cuidadoso trabalho crítico-filológico conduzido por Giorgio Colli e Mazzino Montinari, tornou-se acessível a totalidade dos escritos do filósofo, com base nos manuscritos originais organizados cronologicamente e apartados das falsificações que sofrera anteriormente2 . Assim, a recepção da filosofia nietzschiana constitui por si só um problema.

Palavras-chave


Nietzsche

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