A idiossincrasia de Nietzsche frente a Eurípedes

Daniel Toledo

Resumo


O presente artigo tem por principal escopo apresentar uma crítica da leitura nietzschiana do estatuto valorativo da poesia de Eurípides dentro do processo histórico-genealógico que o filósofo entende como constitutivo do declínio da tragédia grega. O caráter negativo – supostamente radicalizador, potencializador e consumador dessa hipotética trajetória de declínio – da poesia euripidiana será aqui imputado ao próprio condicionamento teórico da concepção nietzschiana do trágico. Para isso, exploraremos três diretrizes fundamentais: (1) a subordinação de Nietzsche a uma tradicional linha interpretativa; (2) sua tendenciosa desconsideração do conteúdo concreto de toda a obra euripidiana; (3) a identificação infundada entre Sócrates e Eurípides.

Palavras-chave


Nietzsche; Eurípides; crítica.

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