Dioniso nietzschiano: artístico, pulsional, filosofal

Saulo Krieger

Resumo


: O objetivo do presente artigo é fazer ver o caráter de Dioniso – ou do dionisíaco – que subjaz às suas tematizações, por Nietzsche, no início e no final de seu percurso filosófico. Seria o mesmo Dioniso, já que o filósofo lança mão do mesmo termo? Seria outro, já que não é bem a mesma “intuição artística”, de O nascimento da tragédia, que se tem ao final, quando já se trata de uma “psicologia do estado dionisíaco”? Seriam então excludentes o artístico da obra de estreia e o psicológico dos escritos de 1888? Em que medida não serão ambos um mesmo dispositivo linguístico com outro estofo? Em que medida esse diferente estofo não modificará o que se pode entender pelo traço característico inicial? Para tanto vai-se abordar (a) a presença resiliente de Dioniso em seu percurso intelectual, mesmo em seus momentos de baixa vitalidade; (b) o sentido da retomada de Dioniso; (c) o estofo pulsional do Dioniso retomado; (d) o modus operandi de Dioniso; (e) o estatuto de Dioniso em seu filosofar – entre o pathos e a questão do estilo.


Palavras-chave


Dioniso – intuição – impulsos – psicologia – protagonização

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