A escrita heraclítica de Ferreira Gullar

Aldo Dinucci

Resumo


Em Vanguarda e Subdesenvolvimento, Ferreira Gullar, partindo da dialética marxista e da noção de obra aberta de Umberto Eco, chega a uma concepção de poesia como “revelação da atualidade do atual”. Essa revelação não pode ser abstrata, mas deve se originar da situação histórica, social e política na qual vive o poeta. Isso nos faz lembrar um aforismo de Heráclito que nos diz que “Dando ouvidos não a mim, mas ao lógos, é avisado concordar que todas as coisas são uma”. Isto é, embora se reconheça que todas as coisas estão em relação umas com as outras, perfazendo uma unidade concreta absoluta, o ser humano é incapaz de experienciar tal unidade. Caberá ao poeta atingir a universalidade através da expressão de suas experiências concretas, e não tentar alcançar um universal “artificial”, produzindo um falso discurso.


Palavras-chave


Heráclito. Fluxo. Poesia. Ferreira Gullar.

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