Belo e sublime, apolíneo e dionisíaco

Vladimir Menezes Vieira

Resumo


No §1 de O nascimento da tragédia, Nietzsche procura caracterizar os dois princípios que constituirão os pilares de sua doutrina estética -- o apolíneo e o dionisíaco -- a partir dos estados observados no sujeito que está sob a influência de cada um deles. Há notáveis semelhanças entre esta descrição fenomenológica e aquela de que se serve Kant na Crítica da faculdade julgar para contrapor belo e sublime: em um caso, o indivíduo vivencia uma alegria que tem origem na contemplação de belas formas; no outro, o prazer que está na base da experiência estética só advém após um sentimento de terror. Esta analogia é reforçada pelo fato de que o autor emprega de forma consistente o termo “belo” [sch¶n] para referir-se ao apolíneo. Considerando-se que, além de Schopenhauer, Kant é um dos poucos filósofos que Nietzsche menciona nominalmente em sua obra, parece tentador imaginar que a doutrina do apolíneo e dionisíaco foi desenvolvida com base no legado conceitual da terceira crítica. O objetivo deste artigo é examinar tal hipótese.


Palavras-chave


Nietzsche. Kant. Apolíneo. Dionisíaco. Belo. Sublime.

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