Depois ou antes: Parmênides e o tempo em DK 8. 9-10

Nicola Stefano Galgano

Resumo


É um cliché muito comum considerar que Parmênides introduz a atemporalidade na história da filosofia, negando o tempo em seu poema. Este cliché está baseado em passagens que supostamente expressam claramente esta negação. Das muitas passagens, a mais importante é a DK 8. 5: ὐδέ ποτ΄ ἦν οὐδ΄ ἔσται, ἐπεὶ νῦν ἔστιν ὁμοῦ πᾶν / ἕν, συνεχές […]; nem nunca era nem será, pois é todo junto agora, / uno, contínuo. Todavia, estudos recentes contestam esta interpretação, que podemos chamar de clássica, mostrando problemas no estabelecimento do texto de 8. 5 e na sua tradução. Meu objetivo, em linha com este estudos, é mostrar duas coisas. A primeira é que os versos 8. 9-10, que contêm as palavras ‘depois’ e ‘antes’ (ὕστερον e πρόσθεν), não apresentam uma noção de tempo, a qual seria afinal negada pelo argumento, e portanto não propõem uma atemporalidade.  A segunda é que estas duas palavras, que parecem indicar marcação de tempo, não discutem especificamente o tempo, mas se referem a uma ideia mais simples, a de sequência.


Palavras-chave


Parmênides; eleatismo; ontologia; tempo; ser.

Texto completo:

PDF

Referências


Cavalcante de Souza, J. (dir.) (1996) Os pré-socráticos. Ed. Abril Cultural, São Paulo.

Calogero, G. (1967) Storia della logica antica, vol. 1, L'età arcaica. Ed. Laterza, Bari.

Cerri, G. (1999) Parmenide di Elea - Poema sulla natura. Ed. BUR, Milão.

Cordero, N.-L. (2005), Siendo, se es. Ed. Editorial Biblos, Buenos Aires.

Kahn, C. (1968) resenha a L. Tarán Parmenides In Gnomon, 40 pp. 123-133.

Kahn, C. (1969) The Thesis of Parmenides, in Review of Metaphysics, 22, (1969), pp. 700-24.

GALGANO, N. (2015a) O preceito da Deusa. O não ser como contradição em Parmênides de Eléia. Tese de doutorado, Universidade de São Paulo, São Paulo.

GALGANO, N. (2015b) Estudo do imperativo no poema de Parmênides. In Carvalho, M. e Amaral, G. (org.) Filosofia grega e helenística. São Paulo, ANPOF.

Guthrie, W. K. C. (1978), A history of Greek philosophy, vol. II, The presocratic tradition from Parmenides to Democritus. Paperback of first edition 1965, Cambridge, Londres.

Lopes, R. (2011) Timeu-Crítias. Tradução, introdução notas e índices, ed. CECH, Coimbra.

Manchester, P. B. (1979) Parmenides and the need for eternity. In The monist, vol. 62, n. 1, Parmenides studies today, p. 81-106, Ed. Hegeler Institute.

Mourelatos, A. (2008) The route of Parmenides. 2a edição, Ed. Parmenides Publishing, Las Vegas.

O'Brien, D. (1987) L’être et l’éternité. In Aubenque, P. (dir.) Études sur Parménide, tomo II, pp. 135-162, Vrin, Paris.

Pulpito, M. (2005) Parmenide e la negazione del tempo. Ed. LED, Bari.

Pulpito, M. (2011) Quanto dura to eon? Parmenide e la presupposizione del tempo. In Ruggiu, L. e Natali, C. (cur.) Ontologia Scienza Mito, pp. 257-269, Mimesis Edizioni, Milano.

Reale, G. (1970), Melisso, testimonianze e frammenti, ed. La Nova Itália, Firenze.

Rossetti, L. (2010) La structure du poème de Parménide. In Philosophie Antique, n. 10, p. 187-226. Ed. Les Presses Universitaries de Septentrion.

Santoro, F. (2011) Filósofos épicos I – Parmênides e Xenófanes. Fundação Biblioteca Nacional,Hexis, Rio de Janeiro.

Sorabji, R. (1983) Time, Creation and the Continuum: Theories in Antiquity and the Early Middle Ages, Londres.

Tarán, L. (1965) Parmenides. A text with translation, comentary and critical essay. Princeton University Press, Princeton.

Tarán, L. (1979) Perpetual duration and Atemporal Eternity in Parmenides and Plato. In The Monist, 62, pp. 43-53.

Whittaker, J. (1971) Parmenides fr. 8,5. In God, Time, Being. Two studies in the Transcendental Tradition in Greek Philosophy, Symbolae Osloenses, supl. 23, pp. 16-32.


Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Creative Commons License esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.