“Tempo, tempo, tempo, tempo...” Reflexões sobre o tempo na filosofia pré-socrática

Miriam Campolina Diniz Peixoto

Resumo


Para alguns historiadores da filosofia, a noção de tempo ocupou uma posição secundária na investigação e na reflexão dos pensadores dos séculos VI-V a.C., e ainda assim apenas no quadro de sua especulação acerca do movimento ordenado dos astros no céu. Entretanto, mesmo se não encontramos nos testemunhos e fragmentos dos primeiros pensadores uma abordagem direta e sistemática do problema do tempo, não é difícil reconhecer aí a presença do tema e de uma série de elementos atinentes a uma reflexão acerca da experiência e da percepção do tempo. Nós acreditamos dispor de elementos suficientes para reverter este mal-entendido, mitigar este juízo e sustentar uma posição bastante diversa no tocante à importância da concepção de tempo e de suas implicações nos diferentes âmbitos em que se desenvolveram investigação e reflexão no período em foco. Propomo-nos, então, a apresentar evidências palpáveis de que a noção de tempo ocupou uma posição importante tanto na economia da investigação cosmológica como naquela da reflexão sobre a natureza e a ação humanas. Como tentaremos mostrar, a noção de tempo aparece em uma dupla acepção e constitui uma peça-chave na construção das principais teses destes pensadores, além de ter mobilizado sua atenção em cada um dos campos de sua atividade especulativa.

Palavras-chave


tempo; pensadores do século VI-V a.C.; atividade especulativa

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DOI: https://doi.org/10.47661/afcl.v15i29.50533

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