Critérios Geomorfológicos e Hidrodinâmicos para Definir Zonas de Segurança na Costa Rochosa Brasileira

Antonio Paulo Faria

Abstract


Este trabalho sugere a criação de uma zona de segurança para a costa rochosa brasileira, com pelo menos 30 m de largura, a partir do limite superior da ação das ondas de tempestades marinhas. Isso atende os projetos de engenharia e podem auxiliar ainda no planejamento da gestão dos litorais rochosos. Para tanto foram estudadas a geomorfologia e a hidrodinâmica dos costões, falésias,bancadas e campos marinhos de blocos, em 233 pontos no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo. Foram feitas correlações entre declividade de rampas rochosas, altura das ondas, forma das encostas e outros aspectos. Foram definidas 3 faixas de lavagem criadas pela ação das ondas: a faixa “A” delimita o ponto atingido pelas ondas de tempestades mais fortes em um período de aproximadamente 10 anos; a faixa de lavagem “B” apresenta-se polida pela ação das ondas de tempestades regulares; na faixa “C” proliferam incrustações de comunidades marinhas porque é atingida por marés e ondas de todos os tamanhos. Esse zoneamento serve ao planejamento da gestão costeira. Foi constatado que os perfis da costa rochosa mais seguros contra as ondas de tempestade são: falésia com altura maior que 5 m, costão-falésia com altura maior que 4 m e campo marinho de blocos. Os perfis do tipo costão, entre 15° e 45° de inclinação, assim como as bancadas, produzem as áreas de maior risco, principalmente quando inseridos em baías rochosas expostas.


Keywords


Costões marinhos; Falésias; Ação das ondas de tempestade

Full Text:

PDF

References


Bagnold, R.A. 1939. Interim Report on Wave-Pressure Research. Journal of the Institution of Civil Engineers, 4(12): 202-226. http://dx.doi.org/10.1680/ijoti.1939.14539

Bigarella, J.J.; Becker, R.D. 1975. International Symposium on the Quaternary. Boletim Paranaense de Geociências, 33. 370 p.

Bigarella, J.J; Becker, R.D.; Santos, G.F. 1996. Estrutura e Origem das Paisagens Tropicais e Subtropicais. Editora da UFSC, Florianópolis. 249 p.

Candella, R.N.; Souza, S. M. L. 2013. Ondas oceânicas extremas na costa sul-sudeste brasileira geradas por ciclone com trajetória anormal. Revista Brasileira de Meteorologia, 28(4): 441-456. ISSN 0102-7786

Carobene, L. 2015. Marine notches and sea-cave bioerosional grooves in the Legurian Coast – Italy. Journal of Coastal Research, 31(3): 536-556. doi.org/10.2112/JCOASTRES-D-14-00068.1

Coutinho, R.; Zalmon, I. R. 2009. O Bentos de costões rochosos. In R. C. Pereira & A. Soares-Gomes (Ed.). Biologia Marinha (p. 281-298). Rio de Janeiro: Interciência. ISBN 978-85-7193-213-5

CPRM. 2000. Mapa Geológico do Estado do Rio de Janeiro. Serviço Geológico do Brasil.

CPRM. 2006. Mapa Geológico do Estado de São Paulo. Serviço Geológico do Brasil.

CPRM. 2007. Carta Geológica Folha Volta Redonda. Serviço Geológico do Brasil.

CPRM. 2012. Geologia e Recursos Minerais da Folha Macaé. Serviço Geológico do Brasil.

CPRM. 2014. Mapa Geológico do Estado de Santa Catarina. Serviço Geológico do Brasil.

Cox, R; Jahn, K.L.; Oona, G. 2018. Extraordinary boulder transport by storm waves (west of Ireland, winter 2013–2014), and criteria for analysing coastal boulder deposits. Earth-Science Reviews, 177: 623-636. doi.org/10.1016/j.earscirev.2017.12.014

Emery, K. O.; Kuhn, G.G. 1982. Erosion of rock shores at La Jolla, California. Marine Geology, 37: 197-208. doi.org/10.1016/0025-3277(80)90101-2

Faria, A.P. 2018. Dinâmica geomorfológica da costa rochosa do Estado do Rio de Janeiro. Revista Brasileira de Geomorfologia, 19(1): 189-206. doi.org/10.20502/rbg.v19i1.718

Finkl, C.W. 2004. Coastal classification systematic approaches to consider in the development of a comprehensive scheme. Coastal Planning & Engineering, 20(1): 166-213. ISSN 0749-0208

Kennedy, D.M. 2014. The Rock Coast of Australia, in: Kennedy D.M. et al. (eds.). Rock Coast Geomorphology: A Global Synthesis. The Geological Society of London, memoir 40: 235-245. ISBN 978-1-86239-684-5

Lovholt, F.; Lynett, P.; Pedersen, G. 2013. Simulating run-up on steep slopes with operational Boussinesq model. Nonlinear Processes in Geophysics, 20: 379-395. doi.org/10.5194/npg-20-379-2013

Milanesi, M.A.; Galvani, E. 2011. Efeito orográfico na Ilha de São Sebastião (Ilhabela). Revista Brasileira de Climatologia, 9: 69-79. doi.org/10.5380/abclima.v9i0.27516

Muehe, D. 2011. Critérios morfodinâmicos para o estabelecimento de limites da orla costeira para fins de gerenciamento. Revista Brasileira de Geomorfologia, 2(1), doi.org/10.20502/rbg.v2i1.6

Pereira, N.E.S.; Klumb-Oliveira, L. 2015. Analysis of the influence of ENSO phenomena on wave climate on the central coast of Rio de Janeiro, Brazil. Journal International Zone Management,15(3): 353-370. doi.org/10.5894/rgci570

Strauch, J.C.; Cuchiara, D.C. 2009. O padrão das ondas de verão e outono no litoral sul e norte do Rio Grande do Sul. Revista Brasileira de Recursos Hídricos, 14(4): 29-37. ISSN 1414-381

Sunamura, T. 2017. Geomorphology of Rocky Coasts. Chichester, U.K. 289 p. ISBN-10: 9780471917755

Trennhaile, A. S. 1987. The Geomorphology of Rock Coasts. Oxford University Press, U.K. 384 p. ISBN 704-1-81437-240-5

West, T.R. 2010. Geology Applied to Engineering. Waveland Press, Inc. 420 p. ISBN 18: 978-1-4786-3500-0




DOI: https://doi.org/10.11137/1982-3908_2022_45_41724

Refbacks

  • There are currently no refbacks.


Creative Commons License
This work is licensed under a Creative Commons Attribution 4.0 International License.

Indexers and Bibliographic DatabasesFollow us
SCImago Journal & Country Rank
ISSN
ROAD
Clarivate
Diadorim
DOAJ
DRJI
GeoRef
Google Scholar
Latindex
REDIB
Oasisbr
Twitter
Instagram
Facebook
All the contents of this journal, except where otherwise noted, is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International Public License (CC BY-NC 4.0).