As alegorias selváticas da perda em A flor da pele, de Dulcinéa Paraense
DOI:
https://doi.org/10.35520/diadorim.2025.v27n3a60918Palavras-chave:
Dulcinéa Paraense, Melancolia, Poesia Amazônica.Resumo
A flor da pele (2011) foi o primeiro e único livro publicado de Dulcinéa Paraense, contendo mais de 50 anos de poesia (1933-1986). Este foi um dos poucos espaços para divulgação de sua produção artística, que tem raríssimas aparições para a crítica e para o público. O apagamento da poética de Dulcinéa Paraense no campo dos estudos literários contrasta com a relevância de sua produção para a literatura paraense. Nos poucos estudos sobre a obra, evidenciam-se que os elementos da natureza e o erotismo emergem em sua composição. Todavia, o que aqui se enfatiza é que há mais um componente inseparável, um triângulo amoroso se enraíza na poética de Dulcinéa: natureza, amor e melancolia. Nesse sentido, objetiva-se, neste trabalho, identificar as alegorias selváticas da perda na poesia de Dulcinéa Paraense e sua centralidade na composição poética de A flor da pele. Sob o signo de uma poética da perda, visa-se estudá-la em diálogo com as contribuições de Giorgio Agamben em Estância: a palavra e o fantasma na cultura ocidental (2007), como caminho único para uma presença do objeto perdido, e identificar como se manifesta a relação humano e natureza na poesia da paraense. Assim, para além do erotismo e da íntima relação com a natureza, a poesia amazônica de Dulcinéa Paraense revela também a perda como um de seus eixos centrais de criação. Essas perdas, além de amorosas, evidenciam-se em diálogo com imagens de ruínas ambientais, as quais se apresentam, principalmente, em personagens arbóreas. O sofrimento melancólico, dessa forma, manifesta-se alegorizado na devastação da natureza e a morte se instaura no desmatamento. A “queda” melancólica e a “derrubada” de árvores estão sob o mesmo signo da perda.
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