O uso da prosódia na percepção de fronteiras de eventos narrados em português brasileiro

Autores

DOI:

https://doi.org/10.35520/diadorim.2023.v25n2a61715

Palavras-chave:

Prosódia, Narrativas orais, Percepção, Teoria de Eventos, Segmentação

Resumo

A Teoria da Cognição de Eventos define eventos como ações que têm um objetivo; que são situadas no tempo e no espaço; que envolvem pessoas e objetos; e que podem representadas em narrativas (Zacks; Tversky, 2001; Zacks et al., 2007; Zacks, 2020). Paralelamente, estudos têm demonstrado que a prosódia marca as relações semântico-pragmáticas entre as subpartes que compõem o texto falado (Grosz; Hirschberg, 1992; Oliveira Jr., 2000; Oliveira Jr.; Cruz; Silva, 2012; Swerts, 1996; Swerts; Geluykens, 1994; Terto; Oliveira Jr., 2021). Visto que eventos podem ser representados na fala; e que a prosódia é o elemento que organiza o texto falado, objetivamos analisar o papel da prosódia na segmentação da estrutura de eventos nessa modalidade, examinando as características acústicas de fronteiras prosódicas percebidas como fronteiras de eventos em um experimento de segmentação de narrativas espontâneas. Hipotetizamos que haveria características específicas de diferença de tom, de intensidade, de duração e de pausas silenciosas nas fronteiras prosódicas percebidas como fronteiras de eventos. Selecionamos trinta narrativas orais espontâneas de um corpus previamente construído. Participaram do estudo 26 participantes falantes nativos do português brasileiro. Nas análises acústicas das narrativas, comparamos medidas de F0, de duração e de intensidade entre as sílabas tônicas adjacentes às fronteiras prosódicas, bem como a ocorrência de pausas silenciosas. Os resultados sugerem que as fronteiras prosódicas percebidas como fronteiras de eventos apresentam maior diferença de tom, valores de intensidade mais baixos na sílaba tônica imediatamente anterior à fronteira prosódica e presença significativa de pausas silenciosas.

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Biografia do Autor

Ebson Wilkerson Rocha Silva, Universidade Federal Rural de Pernambuco, Unidade Acadêmica de Serra Talhada, Serra Talhada, PE, Brasil.

Graduado em Letras Licenciatura Língua Portuguesa; mestre em Linguística e doutorando em Linguística pela Universidade Federal de Alagoas - UFAL. Também compõe o grupo de estudos em Fonética e Fonologia (Fonufal);  Atua principalmente nas seguintes áreas: prosódia, fonética experimental e psicolinguística.

Arthur Ronald Brasil Terto, Universidade Federal de Alagoas, Faculdade de Letras, Programa de Pós-Graduação em Linguística e Literatura. Maceió, AL, Brasil.

Mestrando em Linguística pelo Programa de Pós-Graduação em Linguística e Literatura da Universidade Federal de Alagoas (PPGLL/UFAL). Graduado em Letras (Inglês) pela UFAL. Desde a graduação, quando participou de programas como PIBIC e PIBITI, tem desenvolvido pesquisas na área de prosódia, fonética experimental e psicolinguística. Atua na linha de teoria e análise linguística, tendo como áreas de interesse a prosódia, a interface prosódia/discurso, a fonética experimental e a psicolinguística. É membro do grupo de pesquisa "Estudos em fonética e fonologia da Universidade Federal de Alagoas", fonUFAL. Tem experiência também como professor de língua inglesa na educação básica e em cursos livres de línguas adicionais. 

Miguel José Alves Oliveira Junior, Universidade Federal de Alagoas, Faculdade de Letras. Maceió, AL, Brasil.

Professor associado na Faculdade de Letras da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), onde coordena o grupo de pesquisa fonUFAL (fale.ufal.br/grupopesquisa/fonufal/), o Laboratório de Fonética e o Laboratório de Pesquisa da Linguagem, do Cérebro e do Comportamento Humano - Lapelc² (fale.ufal.br/laboratorio/lapelc/). É membro do Conselho Deliberativo do Comité International Permanent des Linguistes (CIPL) e coordenador do projeto Interfaces Prosódicas, da Asociación de Linguística y Filología de América Latina (ALFAL). É idealizador e editor do periódico Cadernos de Linguística (cadernos.abralin.org), que implementou pioneiramente para a área inúmeras ações associadas à política da Ciência Aberta. Foi presidente da Associação Brasileira de Linguística (Abralin) entre 2017-2021 e coordenador do Programa de Pós-graduação em Linguística e Literatura da UFAL (PPGLL - UFAL) entre 2018-2021. É doutor em Linguística pela Universidade Simon Fraser (Vancouver, Canadá). 

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Publicado

2025-04-29

Como Citar

SILVA, Ebson Wilkerson Rocha; TERTO, Arthur Ronald Brasil; OLIVEIRA JUNIOR, Miguel José Alves. O uso da prosódia na percepção de fronteiras de eventos narrados em português brasileiro. Diadorim: revista de estudos linguísticos e literários, Rio de Janeiro, v. 25, n. 2, p. e61715, 2025. DOI: 10.35520/diadorim.2023.v25n2a61715. Disponível em: https://revistas.ufrj.br/index.php/diadorim/article/view/61715. Acesso em: 21 jan. 2026.

Edição

Seção

v25n2 - Dossiê de Língua/Language Dossier