Imaginando e traduzindo O som do rugido da onça: Reflexões sobre um romance de Micheliny Verunschk
DOI:
https://doi.org/10.35520/diadorim.2024.v26n2a64157Resumo
Pensando a língua literária como um lugar de resistência, o presente texto propõe uma leitura do romance O Som do Rugido da Onça, de Micheliny Verunschk, que revisita o episódio das duas crianças indígenas que foram levadas do Brasil para a Europa, no início do século XIX, pela expedição dos naturalistas alemães Spix e Martius. O livro, pelo viés imaginativo, devolve protagonismo àqueles que foram tratados pela história como meros figurantes. A literatura se apresenta, assim, como uma língua política capaz de produzir experiência a partir da ausência de testemunho, auxiliando-nos a conceber uma escrita alternativa da história dos povos. No jogo de múltiplas vozes, o romance põe em cena o discurso de diferentes atores, a saber, pessoas, bichos e outros elementos da natureza, praticando um perspectivismo ameríndio que devolve potência ao texto literário, entendido aqui como a prática de uma tradução xamânica. Dialogando com o pensamento de Georges Didi-Huberman, Davi Kopenawa, Álvaro Faleiros, Eduardo Viveiros de Castro, entre outros, intenta-se desenvolver o argumento de que ali onde o testemunho fracassa é preciso mais do que nunca saber imaginar.
PALAVRAS-CHAVE: Poéticas ameríndias; Micheliny Verunschk; Perspectivismo.
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