Das diferenças formais entre blending x permuta x espalhamento em lapsos de fala
DOI:
https://doi.org/10.35520/diadorim.2025.v27n3a68138Resumo
Partindo das concepções de Fromkin (1973), Dell (1986) e Stemberger (1993) sobre “lapso de fala”, buscamos formalizar três fenômenos morfofonológicos em lapsos do português brasileiro: blending, permuta e espalhamento. Quanto ao primeiro, blending, trazemos uma alternativa, em termos de análise qualitativa, à análise em Espadaro (2018). Já os dois últimos estão sendo descritos em PB pela primeira vez. Diferentemente dos três autores citados na abertura do resumo, fornecemos abordagens formais distintas para os processos, as quais retiramos do domínio de fenômenos fonológicos em dados típicos e em jogos de linguagem (doravante “ludolínguas”) como forma de sustentar nossa argumentação sobre serem três distintos tipos de lapso, contrariamente ao que defendeu Espadaro (2018). Os dados aqui reunidos contabilizam 76 lapsos de língua, que apresentam (i) duas palavras morfológicas como bases; (ii) relação não concatenativa desse par de palavras e, como materialização dessa não-composicionalidade morfossemântica e (iii) amálgama entre as bases. Temos, como objetivos, portanto, (a) descrever tais fenômenos em lapsos de fala no PB e (b) propor, além de uma taxonomia um pouco diferente, uma formalização para cada um desses três processos morfofonológicos, aqui chamados: blending, permuta (estes dois inteiramente baseados na taxonomia de Dell (1986)) e espalhamento (unificando aqui o que Dell (1986) tratou como “antecipação” e “perseveração”). Sobre espalhamento, argumenta-se que esses dois rótulos são apenas direções diferentes do mesmo fenômeno. Até agora, as observações sobre esses fenômenos resultaram nos seguintes achados: (i) blends em lapsos de fala do PB são, em sua maioria, do tipo “blend fonológico” (ver Minussi e Nóbrega, 2014); (ii) as permutas nos lapsos de fala no PB são delimitadas pelas bordas e limitadas à extensão de duas sílabas; e (iii) o espalhamento nos lapsos do PB tendem a ser mais “antecipação” do que “perseveração”, como o que Nooteboom (1973) relatou para lapsos do inglês.
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