Justaposição: sintaxe, semântica e prosódia

Autores

DOI:

https://doi.org/10.35520/diadorim.2025.v27n3a68444

Resumo

A justaposição é frequentemente associada à coordenação assindética nas mais diferentes abordagens linguísticas. Neste artigo, partimos da premissa de que a justaposição é um processo sintático assim como a coordenação (Abreu, 1997; Hopper e Traugott, 1993; Lehmann, 1988; Rodrigues, 2007, 2010, 2015, 2017, 2021). Para tanto, partimos do pressuposto de que há aspectos não só sintáticos, como semânticos e prosódicos que ajudam em tal distinção (Gonçalves, 2017; Gonçalves e Mallmann, 2021). Com base em estudos funcionalistas, como os de Decat (2001) e Lima Hernandes (2008), que ressaltam que parâmetros prosódicos, como a pausa, poderiam auxiliar nessa diferenciação, analisamos orações justapostas e coordenadas em propagandas, especificamente, nos slogans de peças publicitárias, buscando suporte na fonética acústica para verificar a relevância dos fatores prosódicos pausa e modulação da frequência fundamental (F0) para diferenciar períodos compostos por justaposição de períodos compostos por coordenação. Assim, a hipótese principal é a de que a análise de parâmetros prosódicos, em especial, a variação de F0, possibilita diferenciar as orações justapostas das coordenadas. O corpus de dados prosódicos foi elaborado por meio de um teste linguístico de leitura, formado por 8 (oito) slogans de propagandas com cláusulas justapostas. Este teste foi aplicado a 15 (quinze) jovens mulheres, falantes nativas do português carioca e estudantes de pós-graduação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Apoiados em trabalhos como os de Fox (1984), Hopper e Traugott (1993), Tenani e Soncin (2010), Gonçalves (2017) e Gonçalves Mallmann (2021), comprovamos que a coordenação se caracteriza pela autonomia sintática entre as orações, por uma maior independência semântica (com a presença de conector ou não) e pela ausência de pausa entre as orações. Já a justaposição se caracteriza pela autonomia sintática entre as orações, pela ausência de conector introduzindo as orações, pela interdependência semântica entre elas e por ser preferencialmente intercalada por pausa.

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Publicado

2025-12-27

Como Citar

GONÇALVES MALLMANN, Adriana Cristina Lopes; RODRIGUES, Violeta Virginia. Justaposição: sintaxe, semântica e prosódia. Diadorim: revista de estudos linguísticos e literários, Rio de Janeiro, v. 27, n. 3, p. e68444, 2025. DOI: 10.35520/diadorim.2025.v27n3a68444. Disponível em: https://revistas.ufrj.br/index.php/diadorim/article/view/68444. Acesso em: 10 mar. 2026.

Edição

Seção

DIADORIM VOLUME 27.3 - Especial - Dossiê de Língua - Fonética, Fonologia e Prosódia: uma homenagem ao Professor João Moraes.