O fraseamento prosódico do redobro do sujeito no português brasileiro e a sua relação com o discurso: um estudo de interface
DOI:
https://doi.org/10.35520/diadorim.2025.v27n3a68700Resumo
O presente trabalho se propõe a investigar aspectos prosódicos das construções com o redobro do sujeito no Português Brasileiro, constituídas essencialmente de Sintagmas Determinantes lexicais em posição inicial retomados por um pronome resumptivo, com o intuito de explorar uma possível articulação com propriedades de ordem discursiva. A amostra foi extraída do Corpus Concordância, que compõe o Projeto COMPARAPORT, bem como das plataformas Youtube e Facebook. Para o tratamento das ocorrências, foi utilizado o software de análise acústica PRAAT (Boersma; Weenink, 2023); o tratamento estatístico, por sua vez, foi realizado com o auxílio do programa MINITAB versão 21.1. Com base na Hierarquia Prosódica (cf. Nespor; Vogel, 2007 [1986]) e na Fonologia Entoacional (cf. Ladd, 2008 [1996]), a hipótese que norteia esta pesquisa é a de que existe uma potencial relação isomórfica entre propriedades prosódicas e a “tipologia tripartite de tópicos” formalizada por Frascarelli e Hinterhölzl (2007). Assim, as instâncias de tópico, cada uma das quais a codificar diferentes funções discursivas, podem apresentar correlatos prosódicos (mais especificamente, entoacionais) específicos. Em síntese, os resultados obtidos revelam que tópicos que codificam funções “mais marcadas”, como uma “mudança de assunto” e “contraste entre entidades no discurso”, condicionam fortemente a presença de fronteira prosódica (alta ou baixa) em estruturas com redobro do sujeito; são, portanto, mapeados em um sintagma entoacional independente da sentença-comentário. Por sua vez, o tópico familiar, que exerce a função de manutenção de uma entidade previamente estabelecida no espaço discursivo, opera quase categoricamente sem fronteira, estando prosodicamente mais integrado à sentença que se segue.
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