Variação, percepções e avaliações interdialetais do /s/ em coda no português brasileiro
DOI:
https://doi.org/10.35520/diadorim.2025.v27n3a68735Resumo
Este trabalho investigou como pessoas de diferentes comunidades de fala do português brasileiro avaliam as variantes alveolares e palatoalveolares do /S/ em posição de coda, como em "ca/S/telo" e "mai/S/". Para isso, aplicou-se um teste de percepções sociolinguísticas a 240 participantes, entre 18 e 30 anos, oriundos de seis capitais (Porto Alegre, São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, João Pessoa e Natal). Foram utilizados 32 estímulos auditivos gravados por falantes do PB, dos quais 16 formavam pares com alternância entre variantes do /S/ em coda medial (“ca[s]ca” vs. “ca[ʃ]ca”) e final (“lápi[s] colorido” vs. “lápi[ʃ] colorido”). Os julgamentos foram feitos com base em atributos sociais selecionados por sua recorrência em estudos perceptuais e por referências metalinguísticas registradas em entrevistas com falantes do PB. Os resultados revelaram associação sistemática da variante palatoalveolar ao atributo “sotaque” em todas as comunidades, com avaliações mais intensas entre mulheres de Porto Alegre e Natal e entre participantes de João Pessoa quando a fricativa era seguida por [k]. A palatalização também mobilizou significados sociais distintos: os falantes foram avaliados como menos confiáveis e inteligentes (Porto Alegre), menos convencidos (Recife) e mais engraçados (João Pessoa e Natal). Esses achados contribuem para a compreensão dos significados sociais indexados ao /S/ em coda, evidenciando sua saliência fonética e sociocognitiva no português brasileiro.
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