Luto e transcendência na representação feminina do oratório de Santa Maria Egipcíaca
DOI:
https://doi.org/10.35520/diadorim.2025.v27n3a68737Resumo
Este trabalho tem como objetivo analisar fragmentos do Oratório de Santa Maria Egipcíaca, de Cecília Meireles, sob a ótica do sublime e da melancolia, temas que se entrelaçam de forma essencial na lírica da autora. Na poética ceciliana, o luto manifesta-se como ausência definitiva e também como presença fantasmagórica, encarnada em sonhos, pesadelos e na transfiguração dos mortos em elementos da natureza, como o céu, o mar e, com maior destaque, o deserto. Esse deserto – mais que paisagem física, um deserto metafísico – configura-se como espaço simbólico de provação e transcendência, orientando e desorientando a voz poética em sua busca por sentido e fé. O espaço desértico não apenas ecoa o percurso penitente de Maria Egipcíaca, mas reflete a travessia interior do eu lírico, que se vê entre a dissolução do mundo sensível e a esperança de redenção espiritual. No Oratório, o luto mais íntimo, vinculado à tradição da ausência que permeia figuras femininas na obra, converge com uma dicção elíptica e mística, na qual o eu se apaga para que algo do divino possa emergir. A melancolia, nesse contexto, age como sombra e força: aniquila o eu, mas também o recria sob outra forma, mais etérea. A figura de Maria Egipcíaca, em sua metamorfose de pecadora a santa, transita por esse lugar “oculto” da alma onde a experiência mística se dá. Assim, a melancolia, aliada ao sublime, torna-se força formadora e aniquiladora, tensionando a identidade do sujeito poético.
PALAVRAS-CHAVE: Cecília Meireles; Melancolia; Sublime; Oratório de Santa Maria Egipcíaca; Lírica brasileira.
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