Paralelismo prosódico, pistas contextuais e visuais no processamento de sentenças com elipse gapping no português brasileiro
DOI:
https://doi.org/10.35520/diadorim.2025.v27n3a68739Resumo
Este trabalho analisa o processamento de sentenças elípticas do tipo gapping no português brasileiro (PB), como em: “No fim de semana, o Pedro levou a Júlia na festa e o Bruno no churrasco da empresa”. Esse tipo de construção é sintaticamente ambígua, pois o DP “Bruno” pode ser interpretado como sujeito de uma oração elíptica (interpretação gapping) ou como objeto coordenado (interpretação default). Estudos anteriores indicam uma preferência por estrutura com coordenação de objeto (Carlson, 2002; Hoeks; Vonks; Schriefers, 2002), o que pode ser explicado pelo Princípio da Aposição Mínima (Frazier, 1979), e pelo Viés da Localidade (Harris; Carlson, 2016), que favorecem estruturas sintaticamente mais simples. Por outro lado, um contexto pragmático com viés de sujeito (Hoeks; Redeker; Hendriks, 2009) e o paralelismo prosódico entre DPs com função de sujeito podem favorecer uma leitura com elipse gapping (Carlson, 2002). Para tanto, foi realizado um experimento de escolha de imagens com 48 participantes, manipulando-se o tipo de prosódia e o tipo de contexto. Os resultados revelaram que a combinação entre prosódia e contexto com viés de sujeito aumentou significativamente a escolha da interpretação com estrutura gapping. Estes achados demonstram que a prosódia, aliada ao contexto pragmático, pode favorecer a interpretação que não é a preferencial, destacando o papel central dessas pistas no processamento de sentenças ambíguas no PB.
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