Este texto propõe uma primeira análise sobre os resultados obtidos a partir do questionário lançado às polícias militares de vários estados do Brasil durante os primeiros meses da pandemia Covid-19. A discussão que propomos aponta em duas direções. Em primeiro lugar, demonstramos como aspectos gerais na crise sanitária impactou na atuação da Polícia Militar e a fez rever protocolos de atuação pública. A segunda, que consideramos ser mais relevante e mais inovadora, aborda tensões e narrativas profissionais que atravessam o trabalho de policiamento de forma estrutural, mas que consideramos terem sido potencializadas ou complementadas em decorrência dos rearranjos sociais causados pela Covid-19. Concluímos que a Covid-19 tornou visível e criou condições de possibilidade para que policiais militares se manifestassem a respeito do que consideram ser suas vulnerabilidades mais gritantes. Estes chamaram a atenção para a insuficiência de seus equipamentos, a ausência de investimentos em âmbito geral e a fragilidade da assistência institucional à saúde mental do policial e, por fim, a falta de reconhecimento social e profissional que alegam existir.
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Biografia do Autor
Glauciria Mota Brasil, Universidade Estadual do Ceará (UECE)
Professora Emérita do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Estadual do Ceará (PPGS-UECE), Ceará, Brasil. Doutora em Serviço Social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e Pós-doutoramento em Sociologia pela Universidade do Rio Grande do Sul(PPGS-UFRGS).
Susana Durão, Universidade Estadual Paulista(UNICAMP)
Professora do Departamento de Antropologia do IFCH-UNICAMP, do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social e do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais. Doutora em Antropologia das Sociedades Complexas, ISCTE-IUL, Lisboa. Pós-doutoramento no Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (MN- UFRJ).
Adilson Paes Souza, Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo
Tenente-coronel da reserva (aposentada) da Polícia Militar de São Paulo (PM-SP), mestre em Direitos Humanos e Doutor em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano pela Universidade de São Paulo (USP), Pesquisador Visitante na Norwegian Police University College (PHS) - Oslo-Noruega e membro da Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo desde 2007.
Gabriel Cunha Vituri, Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da UNICAMP (PPGCS-UNICAMP).
Doutorando em Ciências Sociais pelo Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH/Unicamp) e pesquisador do Grupo de Antropologia do Policiamento e da Segurança (GAPS/Unicamp). Mestre em Divulgação Científica e Cultural pela mesma universidade, e membro da Rede Latino-americana de Estudos sobre Vigilância, Tecnologia e Sociedade (Lavits).
Lara Abreu Cruz, Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Estadual do Ceará(PPGS-UECE).
Doutoranda em Sociologia pelo Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Estadual do Ceará (PPGS/UECE). Mestra em Políticas Públicas e Sociedade (2013) e Bacharel em Serviço Social (2010) pela mesma universidade. Bolsista de Doutorado pela CAPES. Pesquisadora no Laboratório de Direitos Humanos, Cidadania e Ética (Labvida/UECE)
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