VEGANISMO ENQUANTO IMPORTAÇÃO COLONIAL: UM FENÔMENO DE CONSUMO DO CAPITALISMO

Martina Davidson

Resumo


A origem eurocêntrica do conceito e fenômeno do Veganismo (aqui tratado com letra maiúscula para simbolizar sua predominância à nível global), faz que sejam carregados em sua teoria e prática, o colonialismo e um posicionamento despreocupado com o combate das opressões – ou que seja sensível à uma abordagem interseccional. Quando esse Veganismo, enquanto forma de consumo do capitalismo, se apresenta no mundo, temos um Movimento acrítico que não é capaz de contemplar minorias políticas. Inclusive reedita diversas formas de opressão ao pregar o consumo, estética ou o estilo de vida sem uma visão anti-hierárquica. Assim, com selos veganos, campanhas sexistas, racistas, colonialistas, cis-heteronormativas, nos deparamos com a necessidade de repensar o Veganismo como algo além do consumo: posturas ético políticas antiespecistas e comprometidas com uma visão antiopressão.


Palavras-chave


Veganismo; decolonização; Vegan-washing; nicho de mercado.

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